03 Fevereiro, 2010


China adverte Obama contra encontro com Dalai Lama

Dalai Lama (arquivo)

Representante chinês criticou tibetanos e chamou Dalai Lama de 'desordeiro'

A China advertiu os Estados Unidos que um encontro entre o presidente americano, Barack Obama, e o líder espiritual tibetano, Dalai Lama, pode prejudicar as relações entre os dois países.

A Casa Branca indicou que o presidente americano pretende se reunir com o líder espiritual tibetano no exílio, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1989.

Zhu Weiqun, uma autoridade do Partido Comunista chinês, afirmou que vai haver uma "ação correspondente" caso o encontro realmente ocorra.

"Isso vai prejudicar muito as fundações das relações políticas entre Estados Unidos e China", afirmou. "Se acontecer, vamos tomar medidas correspondentes para fazer com que os países relevantes compreendam seus erros."

Reunião

Os comentários de Weiqun foram feitos depois de uma reunião entre o governo chinês e os representantes do Dalai Lama no país. A reunião, no entanto, não resultou em um avanço nas relações entre a China e o líder espiritual tibetano.

Esta é a nona vez que os dois lados se encontram desde 2002, mas ainda não conseguiram progresso nas relações, como reconheceu o próprio representante do Partido Comunista.

"As opiniões dos dois lados continuam profundamente divididas", afirmou. "Estamos acostumados, isso se transformou em uma regra, e não em uma exceção."

De acordo com a China, os tibetanos novamente reiteraram a esperança pela introdução de maior autonomia para a região do Himalaia.

Weiqun, por sua vez, afirmou que não há possibilidade de "comprometimento" sobre a soberania do Tibete e acrescentou que o Dalai Lama é um "desordeiro".

"Ele devia fazer uma análise profunda de suas palavras e atos e corrigir radicalmente suas opiniões políticas se ele realmente espera resultados destes contatos e reuniões", disse.

As reuniões entre a China e os tibetanos no exílio, que ficam baseados em Dharamsala, na Índia, ocorrem depois de uma importante conferência que ocorreu em dezembro, organizada por autoridades chinesas para rever as políticas em relação ao Tibete.

O governo de Pequim acusa o Dalai Lama de tentar minar seu poder no Tibete. O Dalai Lama fugiu para a Índia quando tropas chinesas reprimiram uma tentativa de levante no Tibete, em 1959.

24 Janeiro, 2010

Dalai Lama visita cidade na fronteira com o Tibete

Dalai Lama

Visita foi vista pelo governo chinês como provocação

Milhares de pessoas foram dar as boas vindas ao Dalai Lama, que iniciou uma polêmica visita a um monastério na Índia próximo à fronteira com o Tibete.

O líder espiritual tibetano, no exílio desde 1959, chegou neste domingo a Tawang, no Estado de Arunachal Pradesh, território disputado entre a Índia e a China.

O governo de Pequim acusa o Dalai Lama de tentar minar seu poder no Tibete e afirma que a visita é em oposição à China.

O Dalai Lama, que fugiu para a Índia quando tropas chinesas reprimiram uma tentativa de levante no Tibete, 50 anos atrás, insiste que a viagem não é política.

Em agosto deste ano, o líder espiritual de 74 anos fez outra visita polêmica a Taiwan, região que a China considera como parte de seu território.

‘Interferência interna’

As baixas temperaturas em Tawang não impediram que milhares de pessoas fossem às ruas para ver o Dalai Lama.

Bandeiras de prece tibetanas voavam e monges tocavam pratos e cornetas enquanto o Dalai Lama se dirigia ao monastério tibetano, o segundo maior deste tipo na Índia, para realizar uma sessão de preces.

Alguns peregrinos chegaram a caminhar cinco dias para ver o líder espiritual.

Arunachal Pradesh foi a primeira escala do voo de Dalai Lama quando ele deixou o Tibete em 1959, e o líder disse que se sente muito ligado à região. Esta é sua quinta visita em 50 anos.

O líder espiritual afirmou que as acusações de Pequim de que a visita é em oposição e prejudica as relações entre a China e a Índia são infundadas.

“Minha visita a Tawang não é política e tem por objetivo promover a irmandade universal e mais nada”, disse o Dalai Lama.

O ministro chefe de Arunachal Pradesh, Dorjee Khandu, disse que Pequim “não tem o direito de interferir nos assuntos internos da Índia”.

A viagem ocorre apenas semanas depois de uma visita do primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, à região.

O governo chinês também criticou a viagem, acusando o premiê indiano de ignorar suas preocupações.

19 Agosto, 2009

VEJA ESTE VÍDEO:

www.bbc.co.uk/portuguese/multimedia/2009/03/090325_tibete.shtml

16 Agosto, 2009

Tibete é problema doméstico da China, diz Dalai Lama

O líder espiritual tibetano, Dalai Lama

As políticas para minorias étnicas chinesas são um 'fracasso', disse ele

O líder espiritual tibetano Dalai Lama afirmou à BBC que a situação do Tibete é um problema doméstico da China.

A declaração, feita durante uma entrevista exclusiva ao Serviço Chinês da BBC, pode oferecer um novo caminho ao entrave nas negociações entre ele o governo chinês, paralisadas desde ano passado.

“O governo chinês considera nosso problema uma questão doméstica. Nós também”, disse.

O Dalai Lama vem fazendo campanhas por uma “autonomia significativa” dos tibetanos, mas as negociações terminaram no ano passado com acusações de Pequim.

Depois de uma série de protestos e confrontos violentos em março de 2008, Pequim acusou o Dalai Lama de ter interesses secretos separatistas e de ter orquestrados os protestos. O líder budista negou as alegações e afirmou, na ocasião, que busca apenas lutar por uma maior autonomia para a região.

Entre 2002 e 2008, foram nove rodadas de negociações entre autoridades chinesas e representantes do Dalai Lama para discutir a autonomia do Tibete.

Na entrevista, o líder espiritual admitiu que não teve contato com Pequim depois do entrave nas negociações do ano passado.

“Estamos simplesmente esperando Pequim enviar sinais”, disse ele.

Minorias étnicas

Apesar de afirmar que o Partido Comunista Chinês se adapta a novas realidades, o Dalai Lama descreveu as políticas chinesas para as minorias étnicas como um “fracasso”.

Segundo ele, a aproximação de Pequim às regiões autônomas de Xinjiang e Tibete “não é realista”.

“As políticas sempre olham apenas por um ângulo – como manter, como controlar. Somente por este ângulo. Elas não levam em consideração o que pensam as populações locais”, disse o líder.

Para ele, a situação no Tibete reflete os problemas étnicos da China.

Apesar disso, o Dalai Lama afirmou que os confrontos recentes entre chineses da etnia han e membros da minoria uigur na Província de Xinjiang são “muito tristes”.

Ele afirmou que descorda da violência usada nos protestos e disse que esse tipo de manifestação “não ajuda a resolver o problema”.

A entrevista com o Dalai Lama feita pela BBC foi mostrada à Embaixada da China no Reino Unido.

A Embaixada, no entanto, recusou fazer comentários ou emitir reações sobre o conteúdo da entrevista.


    12 Novembro, 2008

    10 de Novembro de 2008 - 14:00
    China diz que não abrirá mão de controle rígido sobre Tibete
    Por Chris Buckley
    PEQUIM (Reuters) - O apelo do Dalai Lama para que o Tibete tenha um "alto grau de autonomia" nunca será aceito pela China, afirmou uma autoridade chinesa, adotando uma postura intransigente antes de negociações com tibetanos exilados a respeito do futuro daquela área.
    Zhu Weiqun, vice-ministro do Departamento Frente Unida de Trabalho, pertencente ao Partido Comunista, disse nesta segunda-feira que em reuniões ocorridas em Pequim, na semana passada, os enviados do Dalai Lama haviam defendido seu tradicional apelo por "autonomia genuína" para a região montanhosa.
    Antes do próximo encontro com ativistas tibetanos exilados, os representantes do Dalai Lama haviam entregado ao governo chinês um "Memorando para todos os tibetanos gozarem de autonomia genuína". Mas a resposta manifestada por Zhu revelou intransigência.
    A China "nunca permitiria um fracionamento étnico em nome da autonomia genuína", disse o vice-ministro em uma entrevista coletiva.
    "Na verdade, eles tentam buscar uma base jurídica para a chamada independência do Tibete, ou semi-independência ou independência camuflada", afirmou Zhu, cujo departamento supervisiona os contatos do Partido Comunista com organizações religiosas.
    As palavras de Zhu representam o primeiro comentário detalhado do governo chinês a respeito da rodada de reuniões realizada com os enviados entre os dias 31 de outubro e 5 de novembro, a nona do tipo desde 2002 e a primeira depois dos Jogos Olímpicos de Pequim.
    E também deixaram clara a postura da China antes do encontro com os tibetanos exilados, alguns dos quais defendem uma postura mais radical do que a autonomia advogada pelo Dalai Lama.
    "Os contatos e as negociações não avançaram. E eles devem assumir a responsabilidade plena por isso", acrescentou Zhu, referindo-se às reuniões da semana passada.
    O governo tibetano no exílio culpa a China pelo fracasso da última rodada de negociações.
    "Se fosse para rejeitar a autonomia regional, os chineses deveriam ter deixado isso claro desde o início", afirmou à Reuters, em Dharamsala (Índia) Karma Chophel, presidente do Parlamento tibetano no exílio. A cidade serve de sede para o governo no exílio.
    Mas autoridades da China disseram que o único propósito das negociações era deixar claro para o Dalai Lama que o governo deles não relaxaria seu controle sobre a região, palco em março de distúrbios e protestos durante os quais manifestantes foram mortos.
    O apelo do líder tibetano por um alto grau de autonomia para a região inclui áreas tibetanas situadas para além da Região Autônoma do Tibete. Zhu acusou o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de querer realizar uma "limpeza étnica" em toda essa área.
    "Se algum dia de fato tomar o poder, ele realizará, sem qualquer remorso ou compaixão, atos de discriminação étnica, apartheid e limpeza étnica."
    O Dalai Lama exilou-se em 1959 depois do fracasso de um levante contra o domínio chinês. Desde então, o líder tibetano, que continua a ser bastante reverenciado em sua terra natal, mora na Índia e viaja pelo mundo para defender sua causa.
    (Reportagem adicional de Bappa Majumdar em Nova Délhi)
    6 de Novembro de 2008 - 18:18
    China alerta tibetanos antes de reunião com exilados
    PEQUIM (Reuters) - A China alertou os tibetanos nesta quinta-feira dizendo que a porta para a independência do Tibete está firmemente fechada e que assim continuará, depois de uma reunião com enviados do Dalai Lama e antes de uma reunião divisora de águas entre líderes tibetanos exilados.
    A delegação tibetana havia visitado a China para conversas de reconciliação depois que o Dalai Lama expressou desânimo em relação às atitudes chinesas. Os comentários de uma autoridade chinesa à agência de notícias estatal Xinhua foram a primeira resposta pública de Pequim no episódio.
    Du Qinglin, diretor do departamento de trabalho da frente unida, que lida com minorias éticas e religiões, disse que a China é sincera e generosa, mas não irá tolerar tentativas de separar o país sob o pretexto da busca pela "autonomia étnica verdadeira".
    "O Dalai Lama deveria respeitar a história, olhar a realidade e se conformar com a época, além de mudar fundamentalmente suas proposições políticas", disse Du segundo a Xinhua.
    "A porta para a 'independência do Tibete', 'meia independência' ou 'independência secreta' nunca esteve aberta, e nem estaria no futuro", disse a reportagem da agência.
    Os visitantes foram levados à região de Ningxia, onde vive a minoria muçulmana Hui, cujas relações com o governo de Pequim têm sido menos turbulentas.
    O enviado-chefe do Dalai Lama, Kasur Lodi Gyari, também emitiu um comunicado de Nova Déhli após seu retorno de Pequim.
    "Nós apresentamos um memorando aos líderes chineses de autonomia genuína para o povo tibetano", afirmou.
    Entretanto, ele disse que o encontro convocado pelo Dalai Lama ainda neste mês para discutir o futuro de suas causas o prevenia de dizer mais sobre as conversas em Pequim.
    "Fomos aconselhados a não fazer mais declarações sobre nossas conversas antes desse encontro", disse.
    (Reportagem de Emma Graham-Harrison)

    28 Outubro, 2008

    O Dalai Lama desistiu?

    Leia este artigo (em inglês) da revista Newsweek sobre o desencanto do Dalai Lama com as negociações com o governo chinês:
    http://newsweek.washingtonpost.com/postglobal/pomfretschina/2008/10/the_end_of_the_line_for_the_da.html