25 Junho, 2008

09h57 - Atualizado em 25/06/2008 - 10h05
Tibete de novo aberto aos turistas, mas sob algumas condições

Da France Presse

PEQUIM, 25 Jun 2008 (AFP) - A reabertura do Tibete aos turistas estrangeiros às vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim não implica por ora o levantamento de todas as restrições impostas aos viajantes a esta região, isolada pelas autoridades após os violentos protestos antichineses de março passado.
Os protestos, que resultaram em violentos confrontos em Lhasa, provocaram no exterior manifestações de repúdio à repressão e perturbaram a passagem da chama olímpica por Londres, Paris e São Francisco.
Lhasa, onde ainda há uma forte presença policial, recebeu a tocha sem incidentes no sábado passado e isso levou a as autoridades chinesas afirmarem que a reabertura da região himalaia a partir desta quarta-feira foi possível graças ao retorno da estabilidade.
Mas a abertura da região continua sendo relativa. Os estrangeiros devem solicitar uma permissão especial e se deslocar para a região em excursões com rígidas medidas de organização.
No fim de abril, a China já havia autorizado a volta ao Tibete de turistas chineses, seguidos de viajantes procedentes de Hong Kong, Macau e Taiwan.
As autoridades, no entanto, não informaram se os jornalistas estrangeiros, atualmente persona non grata por causa da divulgação dada aos distúrbios da passagem da chama olímpica, terão permissão de voltar novamente à região.
O Tibete esperava receber cinco milhões de visitantes em 2008 e previu um aumento de 24% de rendimentos nesse setor, mas, depois da autorização da volta dos turistas chineses, apenas 120.000 pessoas visitaram a região.

19 Junho, 2008

Petição pelos direitos humanos e diálogo no Tibete

Amigos,
Em apenas 7 dias, 1 milhão de pessoas assinaram nossa petição pelos direitos humanos e diálogo no Tibete, se tornando a petição on-line que cresceu mais rápido na história! Depois de décadas de injustiça, o povo tibetano está demandando mudanças e a nossa petição mostra que o mundo está respondendo com uma solidariedade surpreendente a esse chamado.
Foi declarado o Dia de Mobilização Global pelo Tibete nesta segunda-feira dia 31 de março. Em apenas 4 dias, milhares de pessoas em várias cidades do mundo irão protestar em embaixadas e consulados da China, trazendo consigo nossa petição de 1 milhão de assinaturas. Nossa mensagem global e simultânea com certeza chamará a atenção do governo chinês.
Temos somente 4 dias até a entrega da petição, por isso estamos concentrando nossos esforços em dobrar nossa petição: será que podemos conseguir 2 milhões de assinaturas? Nossa mensagem já deu a volta ao mundo e com a sua ajuda podemos chegar ainda mais longe. Por favor, clique no link para assinar a petição e em seguida encaminhe este email para todos os seus amigos e familiares:
http://www.avaaz.org/po/tibet_end_the_violence/83.php/?cl=68277809
Embora alguns líderes linha dura da China têm atacado o Dalai Lama publicamente, muitos líderes chineses acreditam que o diálogo é a melhor esperança para estabilizar o Tibete. Governos ao redor do mundo começaram a pedir o diálogo e muitos sinais indicam que, se a pressão da sociedade civil global continuar, a China terá que ceder.
O presidente da China Hu Jintao valoriza a reputação da China perante o mundo e ele precisa ouvir que a marca "Made in China" e as Olimpíadas de Pequim só serão um sucesso se ele optar pelo diálogo ao invés da repressão. Uma avalanche de solidariedade global está se mobilizando para chamar sua atenção. Nossa petição reconhece as preocupações dos líderes chineses de que protestos e separatismo podem gerar uma perigosa instabilidade, porém nós apoiamos o posicionamento do Dalai Lama que afirma que o melhor caminho é o diálogo e respeito, ao invés da repressão.
Esta é a primeira oportunidade em décadas que vemos um movimento promissor para enfrentar as injustiças no Tibete, porém a atenção dá mídia pode durar pouco. Está na hora de aproveitarmos esse momento para divulgar a manifestação de solidariedade massiva que irá acontecer na segunda-feira, vamos usar todas as nossas forças para fazer dos próximos quatro dias um momento decisivo na história do Tibete.
Com esperança,
Ricken, Graziela, Ben, Iain, Pascal, Milena, Galit, Paul, Esra'a e toda a equipe Avaaz

PS - Para saber mais sobre o Tibete veja as notícias:
AFP - Europeus examinam boicote à cerimônia de abertura dos Jogos de Pequim
http://afp.google.com/article/ALeqM5irAJbmNV8JtS6tVA3zyyaagAGTvw
AFP - Tibete: 135 mortos, 1.000 feridos e 400 presos segundo o Parlamento tibetano
http://afp.google.com/article/ALeqM5gojZ9TOs08drRlPFj93tbiyfkfrA
O Globo Online - Protesto de monges tibetanos marca vista de jornalistas estrangeiros ao Tibete
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/03/27/protesto_de_monges_tibetanos_marca_vista_de_jornalistas_estrangeiros_ao_tibete-426556668.asp
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06 Junho, 2008

Dois países, um sistema – o mito da autonomia tibetana

do The Economist – 19 de março de 2008

As horríveis cenas de violência que ultimamente amedrontaram Lhasa e outras partes do Tibete são apenas o episódio mais recente em mais de meio século de resistência esporádica à dominação chinesa.

Os comunistas chineses invadiram (ou, como eles diriam, “liberaram”) o Tibete em 1950. No ano seguinte, persuadiram — coagiram, diriam seus apoiadores — o jovem Dalai Lama, o líder espiritual do Tibete, a assinar um “Acordo de 17 pontos”, o reconhecimento da soberania chinesa em troca de um alto grau de autonomia.

A não-manutenção dessa promessa de autonomia, por parte dos chineses, levou a um levante, em 1959. Foi esmagado. O Dalai Lama e cerca de cem mil dos seus seguidores exilaram-se na Índia, e a China encravou ainda mais as suas garras.

O Tibete, entretanto — ou melhor, uma parte da área vista por muitos tibetanos como a sua pátria histórica — permanece como uma “região autônoma” da China, como quatro outras áreas com grandes minorias étnicas (Guanxi, Mongólia Interior, Ningxia e Xinjiang).

Na prática, estas regiões não desfrutam de mais autonomia do que as províncias, apesar de alguns esforços mínimos do partido para a representação das minorias. O governo da Região Autônoma do Tibete (TAR), por exemplo, tem geralmente sido ocupado por alguém da etnia tibetana (o posto mais importante da secretaria regional do partido foi sempre de um chinês de etnia Han, inclusive, em certo momento, por Hu Jintao, o atual líder do partido).

Mas a China ofereceu significativa autonomia para duas importantes regiões — Taiwan e Hong Kong — em troca do reconhecimento da soberania chinesa.

No dia 1º. de outubro de 1981, Ye Jianying, então o dirigente do Congresso Nacional Popular, a legislatura oficial chinesa, fez uma “Proposta de Nove Pontos” para Taiwan (os líderes chineses têm qualquer coisa com números).

Ainda a base da política oficial, oferece a Taiwan, com efeito, auto-governo e a preservação de seu sistema político — e até mesmo de seu próprio exército — em retorno pelo aceite de uma posição como parte da China.

Três anos mais tarde, idéias com grande similaridade foram incorporadas à Declaração Conjunta Anglo-Chinesa sobre o futuro de Hong Kong depois de 1997. A oferta a Hong Kong, então colônia britânica, foi bem menos generosa (nunca lhe foi permitida a construção de seu próprio exército).

Na nervosa década de 90, antes da transferência de Hong Kong para a China, a chocante experiência da “autonomia” na China foi várias vezes utilizada como advertência.

Mas, na verdade, a China, de diversas maneiras, respeitou a autonomia de Hong Kong como uma “região administrativa especial” da China. Entretanto, não permitiu que o território elegesse diretamente seus próprios líderes, nem mais do que apenas parte de seus legisladores.

Por esta razão, na visão de Taiwan, onde uma forte tradição democrática enraizou-se firmemente nas últimas duas décadas, Hong Kong não é uma boa propaganda para a vida sob a soberania chinesa.

E não é, também, para muitos tibetanos, que, diferentemente de Hong Kong, são étnica e linguisticamente diferentes dos chineses Han, e reivindicam ser histórica, cultural e legalmente separados da China.

O Dalai Lama, no entanto, permanece como um apoiador da autonomia tibetana sob a China. Tem dito, recentemente, muitas vezes, que a independência completa está “fora de questão”. Ele ameaçou, também, renunciar à sua função de mais importante defensor do Tibete caso a violência se propague.

Ele tem 72 anos. Apesar de gozar de boa saúde, os tibetanos preocupam-se com o seu passamento. Haverá um vácuo, antes do desenvolvimento da sua próxima reencarnação. Pode muito bem surgir uma disputa quanto à identidade dessa reencarnação. Ou pode ser que não haja nenhuma: o Dalai Lama sugeriu a realização de um refere