Lula ainda é dúvida para abertura dos Jogos
Marta Teixeira
São Paulo (SP) - No discurso de lançamento da Casa de Beijing, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, disse que sim, mas para a imprensa trocou a certeza pelo talvez ao comentar a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto. "Lula vai para mostrar a amizade (do Brasil) pela China", disse Silva no alto do palanque arrancando aplausos empolgados do público na praça da Liberdade.
Minutos depois, porém, a frase foi reformulada junto à imprensa. "Minha esperança é que o presidente vá", declarou o ministro, que falou sobre as manifestações contrárias à China que têm marcado a viagem da tocha pelo mundo. "Cada um tem o direito de se expressar", disse, mostrando-se totalmente contrário à possibilidade de boicotar os Jogos. "Boicotes não ajudam em nada", destacou lembrando as experiências dos Jogos de Moscou-80 e Los Angeles-84. "Misturar política com esporte não é uma boa combinação".
Caso fique fora, o presidente brasileiro não será a única autoridade ausente à festa de abertura dos Jogos. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e os primeiros-ministros da República Tcheca, Mirek Topolanek, e da Inglaterra, Gordon Brown, afirmaram que não irão.
Mas se os outros dirigentes deixaram clara sua postura de protesto ao governo chinês com a decisão, Lula justifica a provável ausência com problemas de agenda. "O presidente Lula tem vontade de ir, mas entendo que seja difícil com a agenda carregada", diz o embaixador chinês no Brasil, Chen Duqing.
Lula tinha programada uma viagem à Ásia para participar da reunião do G-8 (sete países mais ricos do mundo e a Rússia) + 5 (as cinco principais economias emergentes do mundo representadas por Brasil, México, Índia, África do Sul e China), no Japão. "É preciso ver como ele vai conciliar duas viagens à Ásia. O presidente é um apaixonado pelos esportes, se for será ótimo", completa Duqing, descartando qualquer traço de protesto na atitude presidencial. "Lula tem muita consideração pelo continente".
As autoridades são convidadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para comparecer às festas de abertura e encerramento das Olimpíadas. Mas os países são livres para participar ou não de acordo com sua opções.
Fonte: http://www.gazetaesportiva.net/ge_noticias/bin/noticia.php?chid=121&nwid=44403
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