Líderes do Partido Verde (PV) se posicionam sobre a libertação do TibetePor Tatiana Giordano
O Deputado Federal Sarney Filho após oferecer “total apoio à luta do povo tibetano”, conclamou os brasileiros a cobrar uma postura “mais agressiva” do governo Lula, com “ações concretas” junto ao governo chinês – inclusive cogitando a hipótese de boicote às Olimpíadas. Será este o único caminho?
Líder do PV (MA) em artigo publicado em seu site, manifestou total indignação com a repressão do governo chinês às manifestações ocorridas no Tibete e disse que um boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim poderá ser necessário para assegurar a volta da paz e da autonomia ao país.
Podemos imaginar o quanto custaria ao Brasil esse tipo de reação pouco diplomática.
Se, por outro lado, pensássemos em termos de uma ação que não dependesse do governo e suas relações internacionais, mas sim dos cidadãos brasileiros, poderíamos sugerir o boicote aos produtos chineses.
Mas será que os brasileiros deixariam de "comprar barato" por esta motivação?
O Brasil é um dos maiores consumidores de produtos "Made in China". Levemos em consideração que a maioria das grandes empresas multinacionais exploram a mão-de-obra chinesa, considerada uma das mais baratas e abundantes do mundo. A Alemanha por exemplo, importou em 2006, mercadorias no valor aproximado de 50 bilhões de euros, conforme matéria do jornal Folha de S. Paulo.
Outra reflexão interessante a ser considerada é a capacidade de adaptação do nosso povo, caso não pudesse ou quisesse consumir, comprar ou vender produtos chineses.
O relato interessantíssimo da jornalista norte-americana Sara Bongiorni sobre viver sem produtos chineses lhe rendeu um livro A Year without "made in China". onde ela relata dia-a-dia o seu calvário.
Só para citar alguns exemplos da experiência da jornalista:
- Privou os filhos dos brinquedos favoritos;
- comprou tênis quatro vezes mais caros do que o habitual;
- deixou de utilizar a máquina de café e passou a ferver água numa chaleira.
Hilário? Talvez.
Mas a intenção de trazer essa discussão à tona é justamente dizer que não há nenhuma iniciativa ou ação de qualquer espécie por parte do governo tibetano no exílio ou do Dalai-Lama em boicotar seja as Olimpíadas ou os produtos chineses.
E nesse momento, grupos ativistas sejam Pró-Tibet, ambientalistas, líderes nacionalistas, democrátas, republicanos, capitalistas, têm feito da causa tibetana um meio de projetar suas próprias ideologias a sua maneira, sem pensar nas conseqüências para a própria causa tibetana.
Penso que é preciso ser mais responsável na maneira de reinvidicar quaisquer melhorias.
Aqui fica meu apelo para que os ativistas e líderes políticos possam nos auxiliar na difusão da cultura tibetana e em toda a forma de facilitação do diálogo entre os governos Tibetano e Chinês e que ambos os povos sejam respeitados acima de qualquer oportunismo político-econômico.
Fonte:
Site do Deputado Federal Sarney Filho
Matéria do jornal Folha de S. Paulo
Matéria do Jornal Portugal News
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