Fidel Castro apóia governo chinês no conflito do Tibete
Agência ANSA
Havana - Fidel Castro manifestou hoje seu apoio ao governo chinês no conflito do Tibete, criticou os elogios de Washington ao Dalai Lama, e advertiu que há campanhas montadas para "obscurecer o merecido êxito" de Pequim como organizador dos Jogos Olímpicos.
Na segunda parte de mais uma de suas "Reflexões do companheiro Fidel" -- artigos dedicados a uma "batalha de idéias" -- Fidel lembrou que Cuba "emitiu uma declaração categórica de apoio à China quanto à campanha contra ela, vinculada ao Tibete".
"Foi correta essa posição. A China respeita o direito dos cidadãos a crer ou não crer. Há, nesse país, grupos de fiéis muçulmanos, cristãos católicos e não católicos e de outras crenças, e dezenas de minorias étnicas, cujos direitos estão garantidos em sua Constituição", escreveu.
Fidel se afastou de seus cargos de presidente do Conselho de Estado e de Comandante-em-chefe devido a problemas de saúde, mas participa das decisões mais importantes do governo dirigido pelo presidente Raúl Castro, seu irmão.
"A campanha orquestrada contra a China é como um toque de clarim chamando à degola para obscurecer o merecido êxito do país e seu povo como anfitriões dos próximos Jogos Olímpicos", escreveu.
Ao se referir às bases históricas dessas campanhas, citou o livro "A guerra secreta da CIA no Tibete", de Kenneth Conboy, que, disse Fidel, "descreve a suja entranha da conspiração. William Leary o define como 'um estudo excelente e impressionante sobre uma das operações secretas da CIA mais importantes durante a guerra fria'".
Fidel acrescentou que, "no curso de dois séculos, nem um só país no mundo havia reconhecido o Tibete como nação independente. Consideravam-no parte integrante da China. Em 1950, a Índia o conceituava dessa forma, depois do triunfo da revolução comunista".
A Inglaterra adotou a mesma conduta. Os Estados Unidos, até a Segunda Guerra Mundial, consideravam-no parte da China, e inclusive pressionavam a Inglaterra nesse sentido. Após a guerra, porém, viram-no como um baluarte religioso contra o comunismo".
De acordo com a análise de Fidel Castro, depois de a China ter implantado uma reforma agrária nos territórios tibetanos "sua elite social não aceitou que suas propriedades e interesses fossem afetados".
"Isso conduziu a um levante armado em 1959. A rebelião armada no Tibete -- diferentemente da ocorrida na Guatemala, Cuba e outros países -- foi preparada durante anos pelos serviços secretos dos Estados Unidos, segundo consta nas investigações mencionadas anteriormente", acusou.
"O Dalai Lama, condecorado com a Medalha de Ouro do Congresso dos Estados Unidos, elogiou George W. Bush por seus esforços em favor da liberdade, da democracia e dos direitos humanos. A guerra no Afeganistão foi qualificada pelo Dalai Lama como 'uma libertação', a guerra da Coréia como 'semilibertação' e a do Vietnã como 'um fracasso'", disse Fidel.
"Em nosso Partido Comunista, a religião não é obstáculo para ser militante. Respeito o direito de crença do Dalai Lama, mas não sou obrigado a crer no Dalai Lama. Tenho muitas razões para crer na vitória chinesa."
Nesta segunda e última parte de sua reflexão, intitulada "A vitória chinesa", Castro expôs aspectos que considera fundamentais da história contemporânea chinesa, especialmente o avanço político e os triunfos do Partido Comunista chinês, seus enfrentamentos com os Estados Unidos e as tensões de Pequim com Taiwan.
fonte: http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2008/04/01/Mundo/Fidel_Castro_apoia_governo_chines.shtml
<< Início