O TCHRD lança sua última reportagem sobre terras e direitos de habitação no Tibet, "Despejados".Por muitos anos monitores de direitos humanos relataram a negação de liberdade política e civil pela China, mais do que focalizar questões econômicas. Em retorno, a China freqüentemente defende sua postura em questões políticas e civis alegando que seus cidadãos estão mais interessados em segurança econômica do que em liberdades pessoais.
Com a ratificação da China do International Covenant on Economic, Social and Cultural Rights (ISESCR) em 2001, chegou a hora de uma análise mais aprofundada do registro da China em relação a direitos econômicos específicos.
O Tibetan Centre for Human Rights and Democracy (TCHRD),por isso, preparou esse Relatório de Direitos de Terra e Habitação para apresentar em dois fóruns diferentes.
O primeiro é o World Summit for Sustainable Development (WSSD), África do Sul, Setembro de 2002; o segundo é o Comitê das Nações Unidas para Direitos Econômicos, Sociais e Culturais que avaliará o primeiro relato de estado da China sobre o ISESCR, em junho de 2003.Direitos de terra, habitação e habitats sustentáveis são questões econômicas que são cruciais não apenas para os direitos pessoais dos indivíduos mas também para o futuro de um país.
Um equilíbrio deve ser estabelecido entre o acesso financeiro e justo dos indivíduos a terra e habitação de qualidade, e assegurar que as colônias nas quais essas habitações estão localizadas, ou os usos aos quais a terra serve são sustentáveis. Essa reportagem, portanto, examina questões de habitação e terra usando um padrão de direitos que abrange o direito de um povo a um desenvolvimento sustentável.
Em 1996 o governo da República Popular da China (RPC) fez um compromisso público da total e progressiva compreensão do direito a moradia adequada. Ao ratificar o ISESCR em 2001, a China firmou um compromisso legal para reconhecer esse direito.
Na última década, a RPC também regularmente se submeteu ao Comitê das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável pedindo concordância para o desenvolvimento sustentável incluindo o direito à terra. Apesar dessa face pública, há sérias violações dos princípios e da lei internacional ocorrendo no Tibet.
Estudando as questões do Tibet de direito a habitação e terras de acordo com o padrão de direitos humanos e desenvolvimento sustentável, o TCHRD espera contribuir para o debate em andamento sobre as ligações entre as duas questões.
Na época em que esse artigo foi escrito, muitas ONGs de direitos humanos participantes dos Encontros Preparatórios para o WSSD ficaram escandalizadas com a exclusão do discurso de direitos humanos da plataforma do Summit.
Espera-se que o WSSD em Johannesburgo corrija o curso do desenvolvimento da política internacional. O fato é que nenhum país pode dizer estar alcançando desenvolvimento sustentável se nega ao seu povo os direitos fundamentais políticos, civis, religiosos, econômicos, sociais e culturais.
A palavra ‘sustentável’ nada significa se o povo não está envolvido em criar ou tomar parte de seus benefícios.Deve ser frisado que essa Reportagem não é um resultado de pesquisa de campo.
Embora a China esteja cada vez mais permitindo que as ONGs e os acadêmicos internacionais conduzam pesquisas em várias regiões da China, dado o ‘background’ do TCHRD em advocacia de direitos humanos, enfrentamos dificuldades intransponíveis ao entrar no Tibet para conduzir pesquisas compreensivas sobre condições de terra e habitação.
O TCHRD deseja muito que num futuro próximo acadêmicos e/ou ONGs internacionais sejam capazes de conduzir pesquisas de origem popular tanto no "TAR" quanto no resto do Tibet etnográfico.Na ausência desse nível de acesso, o TCHRD pesquisou documentos acadêmicos e os Papéis Brancos de Beijing atrás de dados sobre as políticas da China no Tibet. O TCHRD também fez uso de informação fornecida para o centro por viajantes ocidentais.
Entretanto, nossa maior pesquisa são os testemunhos dos tibetanos recentemente exilados que entrevistamos na Índia e Nepal desde nosso início seis anos atrás. O TCHRD fortemente acredita numa abordagem centrada no povo para questões de direitos humanos e para desenvolvimento sustentável. Os tibetanos são quem melhor sabe o que está acontecendo no seu país e a informação que eles fornecem é crucial para a compreensão da situação corrente.
Essa reportagem é intitulada "Despejados" porque a característica-chave das terras e habitação no Tibet no século 20 é a desapropriação pelo governo chinês das terras e habitação tibetanas. Até mesmo reformas recentes que implicam em garantir a famílias maior posse sobre terras e habitação na verdade têm o efeito de alienar o controle sobre os recursos de terra para o povo do Tibet.
Fonte: Jornal Human Rights – Agosto 2002.