18 Junho, 2002

POLÍTICAS DA CHINA RESTRINGEM VIDA NÔMADE VOLTA

Khundrup, 28, da "PAT" de Karze, Província de Sichuan, relatou ao TCHRD: "Sendo nômade, minha família mudava-se com nosso bando de acordo com as estações. No calor vamos para as montanhas mais altas, no inverno vamos para as terras mais baixas. Entretanto, desde o final dos anos 70, as autoridades chinesas começaram a restringir os locais para onde normalmente vamos. Em certas épocas do ano as autoridades nos ordenam para movermos nosso bando para uma pastagem mais nova, embora as estações possam não ter mudado. Se não nos movermos adiante conforme ordenado, seremos multados em 150 yuan por dia independente se chove ou neva.

As autoridades também exigiram que as fronteiras das áreas locais fossem cercadas. Portanto, tivemos que comprar o material de cerca do governo e construir a cerca sozinhos. A quantia que cada família teve de pagar pela cerca foi calculada de acordo com o número de animais que cada família possui. Um rolo de arame para cercas custa 1500 yuan. Minha família tinha cerca de 100 animais então compramos seis rolos, o que custou 9000 yuan.

Se falharmos em fazer a cerca no tempo estipulado, seremos multados em 300 yuan por dia. Como resultado, tivemos de trabalhar o dia inteiro para completar as cercas o mais rápido possível, às vezes até nossas mãos sangrarem".

Jornal Human Rights – Junho 2002

01 Junho, 2002

ADIADA LIBERTAÇÃO DO LÍDER DE VILAREJO




Pema Phuntsok tem aproximadamente 39 anos e não recebeu educação formal, sendo de origem semi-nômade. Pema é originário do vilarejo de Mong Sa Nga em Karze County, província de Sichuan. Ele trabalhava na fazenda com seus pais até que o Sistema de Comunidade Chinês foi introduzido. Pema então trabalhou por três anos conduzindo animais para a comunidade e trabalhando em fazendas novamente. Quando o sistema de comunidade foi abolido e a terra, redistribuída, Pema não estava mais interessado em trabalhar em fazendas. Ao invés disso, ele trabalhou com vendas de plantas medicinais e tornou-se um homem de negócios neste campo. Negociava com outros homens de negócios em hospitais tibetanos.

Poucos anos depois, ele foi eleito líder do vilarejo de Mong Sa Nga. Ele era conhecido por ser uma pessoa quieta mas confiável. Enquanto liderou, foi muito eficiente e fez muito a favor dos habitantes do vilarejo. Ele organizou para que eles tivessem equipamentos de fazenda sancionados por altos líderes do condado. Enquanto liderou, ele também organizou muitas atividades religiosas e cuidou das despesas. Em várias ocasiões ele convidou Geshe Sonam Phuntsok para dar graças à ocasião e conduzir os serviços religiosos.

Em 25 de outubro de 1999, quando notícias da prisão de Geshe Sonam Phuntsok espalharam-se por Karze County, aproximadamente 3000 pacifistas em protesto se reuniram e fizeram presença em frente ao escritório do subdistrito de Rongbatsang, exigindo a libertação imediata e incondicional de Geshe. Pema Phuntsok conduziu o povo gritando: "A China diz ser de liberdade religiosa e a prisão de Geshe contradiz isso. Geshe não fez nada político, portanto vocês não têm motivos para prendê-lo." O povo fez reféns 15 grandes oficiais, incluindo o Chefe de Karze County e alguns policiais. Apesar das ameaças de conseqüências terríveis e pena de morte, o público não se deteve e exigiu que as autoridades apresentasse Geshe ante eles.

Finalmente as autoridades cederam e trouxeram Geshe de volta ao Centro de detenção de Karze por volta das dez da noite. Emocionada, a multidão assobiou e chorou quando Geshe, algemado e vigiado por guardas, finalmente chegou ao local de demonstração. Geshe então avisou ao público para se dispersar. Eles mais tarde libertaram os oficiais chineses mas detiveram dez policiais.

Às 9 da manhã do dia seguinte, mais de 10 mil pessoas de diferentes condados e 10 subsistirmos unidos se aglomeraram em frente à corte onde Geshe fora levado para um julgamento fechado. Eles começaram a gritar frases sobre a inocência de Geshe. Cerca de 6oo oficiais do PSB e PAP atiraram bombas de gás lacrimogêneo e inflamaram indiscriminadamente para esmagar a multidão, mas felizmente ninguém sofreu ferimentos graves naquela ocasião. Entretanto, policiais bateram nos manifestantes com cassetetes, bastões elétricos e alvos de rifle causando ferimentos em centenas de pessoas. Vinte pessoas foram hospitalizadas e quase 100 foram detidas no Centro de Detenção de Karze no mesmo dia.

O incidente inteiro foi filmado. Pema foi retratado com destaque no filme, gritando e exigindo uma explicação das autoridades chinesas. Em 31 de outubro de 1999, Pema foi apreendido e imediatamente levado ao centro de detenção de Karze. Lá, durante sua detenção de 15 dias, ele sofreu severas torturas e surras junto com o resto dos detentos. Alguns métodos de tortura incluíam água quente derrubada sobre suas costas nuas, ferimentos de alicate e colocar suas mãos e outras partes do corpo em aquecedores elétricos. No meio de novembro de 1999, Pema foi sentenciado a 2 anos e meio de detenção na Prisão de Menyang.

Alguns detentos foram soltos após serem detidos por um a sete meses e pagando fianças de 500 a 5000 yuan. Pema deveria ser solto em 31 de abril de 2002, mas até a data não tivemos informações confirmando sua libertação.
ATIVISTA SOCIAL LÍDER DO TIBET PRESO



Na noite de 7 de abril de 2002, Tulku Tenzin Delek, popularmente conhecido como Ah-Nga Tashi, um lama altamente respeitado em Lithang County, Karze "TAP" , província de Sichuan, foi preso por policiais do PSB Sichuan por suspeita de envolvimento em uma série de bombardeios em Chengdu. Quatro de seus assessores também foram presos. Eles são Tsultrim Dhargyal, Tamding Tserin, Asher Dargyal e Dhondup. O atual paradeiro de todos os cinco é desconhecido.

Está relatado que seus alunos Tulku Damchoe Nyima e Tashi Phuntsok, disciplinário encarregado do monastério Othok também foram detidos nos dias seguintes. O paradeiro de ambos os monges continua desconhecido até agora. Seguidores de Tulku Tenzin Delek acreditam que ele foi incriminado pelos bombardeios devido às suas assim-chamadas ações ‘separatistas’.

Tulku é conhecido pelo seu ativo envolvimento na restauração da cultura e religião tibetanas, trabalhos sociais e suas ousadas afirmações sobre as políticas repressivas chinesas no Tibet. Ele teve voz ativa em levantar e resolver questões de interesse local. Tulku sempre enfatizou a necessidade de resolver questões de forma amigável, aderir aos ensinamentos do Dalai Lama, preservar a cultura única do Tibet, e para os funcionários qualificados e assalariados tibetanos conduzirem o Tibet no moderno século 21.

Tendências recentes de prisão indicam que as autoridades de Beijing parecem ter como alvo figuras religiosas de grande projeção que tiveram encontros com o Dalai Lama.

Geshe Sonam Phuntsok, um respeitado praticante do budismo, foi sentenciado em março de 2000 à prisão de 5 anos acusado de procurar uma audiência com o Dalai Lama e conduzir cerimônias de oração de longa vida para ele. Khempo Jigme Phuntsok, abade chefe do Serthar Institute, é relatadamente mantido incomunicável e a maioria de seus cerca de 8000 alunos expulsos e aproximadamente 2000 moradias demolidas em 2001.

As autoridades chinesas mantiveram a suspeita de que Khempo pode ter contatos com o Dalai Lama em assuntos políticos e religiosos após seu encontro com o Dalai Lama em Dharamsala em 1990. A prisão de Tulku Tensin Delek é o caso mais recente. Todas essas três figuras religiosas são da mesma região de Karze County, província de Sichuan.
ATRÁS DAS GRADES POR APOIAR UM "SEPARATISTA"



Pema Kunsang tem aproximadamente 26 anos de idade. Ele é um ex-monge do mosteiro de Kargyu Bhelgay, que localiza-se no distrito de Rongbatsang, Condado de Karze, "PAT" de Karze, Província de Sichuan.
O nome do pai de Kunsang é Kayung Dorjee. Ele tem sete familiares sendo seus pais, três irmãos, uma irmã e ele próprio. Sua família ganha o sustento com atividades agropecuárias. Kunsang é originalmente do Vilarejo de Shusar, Município de Shusar, Condado de Karze na Província de Sichuan.

Desde os onze anos de idade, Kunsang estudou na Escola de Rongbatsang Chushor por três anos. Durante esse período, Kunsang estudou Dialética Budista, Gramática Tibetana e Filosofia Budista no centro de educação dos monges.
Mais tarde ele foi admitido no Karze Nangten Lobling (Instituto Budista de Karze) no Condado de Karze, estudando Gramática Tibetana e Arte da Cura por seis meses. O instituto tinha aproximadamente 300 alunos na época.

Após seis meses de estudo no Instituto Budista de Karze, Kunsang retornou ao mosteiro de Bhelgay. Ele recebeu a responsabilidade cuidar do mosteiro que ele serviu por mais de cinco anos. Ele então meditava no Centro de meditação de Jusong no Condado de Jatsuka por três anos. Ao voltar outra vez para o Mosteiro de Bhelgey, ele começou a fazer serviço público. Gradualmente, Kunsang tornou-se um dos altos lamas do mosteiro. Ele começou a conduzir orações religiosas especiais nos lares tibetanos na área local.

Foi quando Geshe Sonam Phuntsok, o famoso praticante budista no Condado de Karze, foi preso em 25 de outubro de 1999, enquanto ele estava em retiro espiritual na Área de Retiro de Wakhar, Condado de Karze.
Logo que as notícias da prisão de Geshe se espalharam, aproximadamente 3000 manifestantes pacíficos incluindo o Lama Kunsang se uniram e protestaram em frente ao escritório do subdistrito de Rongbatsang exigindo a libertação imediata e incondicional do Geshe.

O Lama Kunsang apelou a muitas autoridades chinesas para a libertação do Geshe e tentou convencê-los da inocência do Geshe em todas as alegações erguidas contra ele. Ele criticou fortemente as autoridades chinesas por haverem detido o Geshe.

Devido a seus comentários ásperos contra as autoridades chinesas, o Lama Kunsang tornou-se suspeito. As autoridades chinesas o acusaram de ser um dos líderes da manifestação espontânea de Karze em 25 e 26 de outubro de 1999.
Em novembro de 1999, a polícia chinesa prendeu o Lama Kunsang sob acusações de "mobilizar e liderar" a manifestação de Karze, e se opor às autoridades chinesas. É relatado que com uma câmera oculta ele foi capturado fazendo comentários críticos sobre oficiais chineses. O vídeo foi mais tarde usado contra ele como evidência. Oposição às autoridades chinesas está incluída como uma das acusações contra ele.

Inicialmente, o Lama Kunsang foi detido no Centro de Detenção Karze por três meses. Ele sofreu severas torturas e surras durante sua detenção.
Em fevereiro de 2000, a Corte Popular Intermediária de Karze passou uma sentença sobre o Lama Kunsang. Ele recebeu cinco anos e meio de prisão. O Lama Kunsang está atualmente cumprindo sua sentença na Prisão de Xinduqio.

Jornal Human Rights – Junho 2002
CRÉDITO À TCHRD REJEITADO



Em 31 de maio de 2002, o Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) foi negado crédito ao World Summit on Sustainable Development (WSSD) no quarto Encontro Prep-com em Bali, Indonésia.

A China outra vez usou uma ação de não-movimento para bloquear a discussão sobre crédito. Noventa países votaram a favor da ação de não- movimento da China, trinta e sete países contra e dez países em abstinência. Curiosamente, cerca de cinqüenta países estavam ausentes na hora da votação. Paquistão e Cuba falaram em favor do movimento de não-ação da China, enquanto Estados Unidos e Espanha (por meio da União Européia) defenderam o Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD).

A objeção da China à aplicação do TCHRD foi esboçada numa carta endereçada ao General de Secretaria Kofi Annan datada de 14 de maio de 2002. Os Representantes Permanentes das Nações Unidas alegaram nesta carta que membros do TCHRD eram ‘separatistas’ e que "nós apoiamos e valorizamos... a participação das ONGs que fizeram contribuições positivas e concretas em cooperações próximas com a China."

Sob as regras do ECOSOC, as ONGs tiveram um direito de resposta a objeções de crédito. Em 23 de maio de 2002, o Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) enviou uma carta ao Secretário Geral Kofi Annan em resposta às alegações da China . A carta foi mandada ao Coordenador de Programa de Maiores Grupos do Secretariado do WSSD com um pedido de adiantá-las aos membros do Prep.Com. Entretanto aparece nos lançamentos da imprensa pelas Nações Unidas datado de 31 de maio de 2002 que, o Comitê preparatório considerou a carta da China, não considerou a carta do TCHRD.

Uma afirmação conjunta foi editada por várias ONGs atendendo ao Comitê Preparatório de Bali apoiado pelo crédito do Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD). A afirmação dizia : "A objeção da China à participação do TCHRD não é baseada em méritos mas é muito mais um reflexo da animosidade política contra uma organização de direitos humanos. Exclusão de outra ONG qualificada na base de política iria denegrir o espírito e o objetivo do World Summit." Entre os signatários desta afirmação estavam o Greenpeace (internacional e África do Sul), Earth Justice (EUA), Centre for International Environment Law (Washington DC), ONGs no Indonesian Peoples Forum; International Insitute for Sustainable Future Association of World Citizens; e o Earth Island Institute.

A China já utilizou ações de não-movimento para bloquear crédito ao WSSD para outras duas ONGs , o International Campaign for Tibet e o Tibet Justice Centre.

Tsering Lhadon, diretor executivo do Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD), disse: "Tudo que estamos pedindo é o direito de participar numa conferência. A China está tão desesperada para deter qualquer discussão crítica no Tibet na arena internacional que inclina-se a meios de procedimento para evitar debates. Apoiar um movimento de não-ação vai contra os princípios básicos da democracia e liberdade de expressão."

"O Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) gostaria de agradecer a todos esses países que votaram a favor de nosso crédito. Estamos também encorajados a cuidar para que muitas ONGs internacionais também dêem seu apoio", Tsering Lhadon acrescentou.

O Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) é uma ONG independente sobre os direitos humanos sediada em Dharamsala, Índia. Informações obtidas de entrevistas de primeira mão de refugiados tibetanos são traduzidas para o inglês e disseminadas através de relatórios. O TCHRD também publica a Declaração Universal dos Direitos Humanos e outras convenções das Nações Unidas em tibetano.
DESTRUIÇÃO DA VELHA LHASA


No final de abril de 2002, relatórios foram recebidos do Tibet com respeito à expulsão e demolição de edifícios contidos num local protegido pelo Patrimônio Mundial em Lhasa.Relatórios indicam que por volta de 24 ou 25 de abril de 2002, tiveram início as demolições de um edifício no lado sudeste onde as ruas Dekyi Shar Lam (Ch: Beijing Dong Lu) e Snow Land se encontram.

Aparentemente, o governo de Beijing planejava demolir todo o bloco à volta deste complexo de edifícios, incluindo uma velha residência chamada Samding. A área em questão é o bloco ao lado (imediatamente ao norte) do famoso hotel turístico, o Snowlands, incluindo um restaurante francês ao leste oposto do Pentoc Hotel e o Xiangbala Hotel. Esse bloco contêm algumas importantes construções antigas aristocratas, como Phunkhang e Gangha Metok e é um dos poucos centros restantes de edifícios tibetanos tradicionais.

A área é aproximadamente três minutos a pé da praça Jokhang, que é o centro histórico de Lhasa.Essas demolições são apenas parte da destruição em andamento, pelas autoridades chinesas, do tradicional caráter tibetano.

Muitos edifícios tradicionais de estilo tibetano desapareceram devido à determinação do governo chinês de transformar Lhasa numa ‘moderna’cidade ao estilo da China.Inquilinos de um desses edifícios relatadamente foram expulsos por volta do dia 24 de abril, com aviso de apenas sete dias. De acordo com relatos do ICT, aos residentes foi oferecida acomodação nos novos edifícios substituindo seus antigos lares, mas espera-se que o aluguel seja mais alto e o tamanho dos edifícios menor.

Por causa disso, muitos tibetanos que alugavam nessa área serão forçados a se mudar para outra parte da cidade onde os aluguéis são mais baratos. Moradores chineses estabelecidos que vão a Lhasa para oportunidades de trabalho e negócios provavelmente terão condições de pagar os novos aluguéis.

Mais uma vez, um projeto de ‘modernização’do Tibet irá beneficiar mais chineses que tibetanos.Essas expulsões e a demolição vão contra inúmeras leis internacionais. Entre elas está o direito de não ser forçadamente expulso, o que é um importante princípio do direito de adequar a habitação, contida no International Covenant ou Direitos Econômicos, Sociais e culturais.

A destruição de edifícios culturalmente significativos também quebra a proteção garantida pelo status de Patrimônio Mundial da Unesco.O Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) juntou-se a ONGs do mundo inteiro em apelo às Nações Unidas para investigar as demolições e expulsões e ordenar que as autoridades chinesas cumpram a lei internacional.
DOCUMENTÁRIO "DESTRUIÇÃO DO SERTHAR INSTITUTE"



O Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) fez uma conferência no Foreign Correspondent’s Club, em Nova Delhi em 18 de abril de 2002.Na conferência da Imprensa, o TCHRD exibiu pela primeira vez um documentário de dez minutos mostrando a destruição em massa do Serthar Buddhist Institute na Província de Sichuan no Tibet.

O documentário foi feito a partir de rolos de filme contrabandeados do Tibet por ex-residentes do Instituto.Tanto quanto os cinqüenta correspondentes da imprensa, agência de notícias nacionais, estrangeiras e tibetanas englobando imprensa, rádio e televisão vieram para um hall lotado para cobrir o evento.

Houveram também oficiais de várias embaixadas. Dois ex-residentes do Serthar Institute, Kempo Tenkyong e Paldrup, estiveram presentes na conferência da imprensa para embasar perguntas dos jornalistas. A Srta. Youdon Aukatsang, Oficial Sênior de Programas, e a Sra. Nolzin Dolma, pesquisadora inglesa, atuaram como intérpretes. O evento recebeu ampla cobertura da mídia nos dias seguintes.
FILME CONTRABANDEADO FORA DO TIBET



Em março de 2002, o Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia recebeu rolos de filme contrabandeados do Tibet mostrando a destruição de um dos principais centros religiosos do Tibet, Serthar Buddhist Institute. O SBI fez um documentário de 10 minutos para conscientizar sobre a verdadeira situação dentro do Tibet.

O Serthar Institute, também conhecido por Larung Gar, está localizado na Prefeitura Autônoma tibetana de Karze, província de Sichuan. Até o ano passado era o maior instituto budista do Tibet. Os estudos acadêmicos não-sectários de Khempo (abade) Jigme Phuntsok atraíram estudiosos budistas do mundo inteiro, incluindo alunos da China, Taiwan, Hong Korg e Coréia. Também foi lar de inúmeros monges budistas, freiras e leigos. A população antes da atual demolição era bem maior de 8000.

Em 1999 a equipe de trabalho do Partido Comunista Chinês visitou o Instituto e ordenou que apenas 1400 residentes eram autorizados a estudar lá. Os primeiros a serem excluídos foram alunos de outros países asiáticos. Então em junho de 2001, 50 caminhões e jipes chegaram ao instituto e, sob a proteção de milhares de oficiais de segurança que acampavam nos arredores do Instituto durante a demolição, começaram a destruir a área residencial.

O documentário mostra as autoridades chinesas supervisionando a demolição de edifícios, enquanto monges e freiras recuperavam suas posses da destruição. Também contém entrevistas com dois ex-residentes do Serthar Institute que agora estão exilados. De interesse particular dos ex-residentes do Instituto é que Kempo Jigme Phuntsok e sua sobrinha, ela própria uma ex-instrutora religiosa, estão sendo mantidos incomunicáveis em Chengdu. Outro assunto importante descrito por uma freira no documentário é que centenas de freiras em particular são agora sem-teto.

Nos últimos sete anos, o Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) registrou a invasão de quase 19.000 monges e freiras de instituições religiosas pelo Tibet, o fechamento de 24 instituições religiosas, e a prisão de milhares de monges e freiras, que com freqüência eram culpados de pouco mais que expressar sua opinião ou recusar-se a denunciar seu líder espiritual, o Dalai-Lama.

Youdon Aukatsang, Oficial Sênior de Programa do Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) disse: "O documentário contradiz por completo o que a China diz sobre respeitar a liberdade religiosa no Tibet. A China pode ter escapado da condenação em seu registro de direitos humanos na Comissão dos Direitos Humanos este ano, mas com evidências como essas, o mundo não pode mais fechar os olhos.
DETENÇÃO DE GESHE SONAM PHUNTSOK



De acordo com informações confiáveis recebidas do Tibet, os tibetanos locais do distrito de Rongbatsang, condado de Karze, "PAT" de Karze, estão gravemente preocupados com a contínua detenção de Geshe Sonam Phuntsok à luz de um recente anúncio público. Geshe Sonam Phuntsok é reverenciado como um grande estudioso e praticante budista na região de Karze.

Em 21 de maio de 2002, três oficiais de alto nível de Karze chegaram ao distrito de Rangbatsang, cidade natal do Geshe, para dirigir uma reunião pública no escritório do Subdistrito. Um dos três oficiais é Lolong Ta, o segundo chefe do Condado de Karze.Os oficiais visitantes dirigiram-se à multidão e anunciaram a possível libertação de Geshe Sonam Phuntsok. Eles disseram, "Quando Geshe for solto, ninguém deve mostrar nenhum sinal de contentamento nem recorrer a quaisquer medidas de protestos.

Devido às notícias, se alguém criar qualquer perturbação, será considerado protesto contra a pátria e o acusado deverá ser punido à altura." "Faz agora um mês desde que o anúncio foi feito mas Geshe ainda não foi solto. Chegamos agora a acreditar que o anúncio foi feito para enganar o público em geral. É um plano muito bem armado pelas autoridades chinesas para criar pânico entre os seguidores e simpatizantes do Geshe.

Algumas pessoas dizem que o anúncio foi um movimento deliberado para testar a reação do povo às notícias e para observar suas atividades como resultado de tais anúncios. A intenção deles não era realmente soltar Geshe", comentou um tibetano local.Isto é confirmado pelo fato de que um dos parentes próximos do Geshe o visitou na prisão de Chunagdong No. 3 em maio de 2002. O diretor da Prisão Chungadong, relatadamente disse ao parente que o Geshe não seria solto porque ele tem uma sentença para cumprir.

A não ser que houvesse alguma ordem específica de maiores autoridades em Beijing.Reportagens indicam que Geshe Sonam Phuntsok continua a ser interrogado três vezes por semana embora pareça que ele tenha se recuperado levemente de sua doença . Há relatadamente um reforço na segurança na prisão.

Geshe é interrogado com questões como:

"Qual é a base do budismo a que todos vocês tibetanos são tão devotados?"
"O que vocês dizem a seus seguidores quando vocês conduzem cerimônias religiosas?" "Vocês amam a pátria chinesa?"
"Como os tibetanos respeitam o Dalai Lama?"
"Qual sua opinião pessoal sobre os ensinamentos do Dalai Lama?"

Em 25 de outubro de 1999, Geshe foi preso e detido na Prisão de Dartsedo no Condado de Dartsedo, "PAT" de Karze, por um ano e quatro meses.Em março de 2001, Geshe foi formalmente sentenciado a cinco anos de prisão. Ele foi acusado de "incitar atividades separatistas entre as massas, procurando uma audiência com o Dalai Lama e por conduzir cerimônias de oração de longa vida para o Dalai Lama", entre outras acusações. Em dezembro de 2001, o TCHRD recebeu informações sobre o grave estado de saúde de Geshe. Este, naquela época, estava sofrendo de febre alta, diarréia, tontura e letargia.

Embora em duas ocasiões o Geshe foi levado para um hospital militar vizinho e hospitalizado por sete horas, isso não trouxe grandes melhoras. Em junho de 2002, soube-se que Geshe tinha úlcera e baixa pressão sangüínea mas estava relatadamente fora de perigo.


Fonte: Jornal Human Rights – Junho 2002.
HOMEM SENTENCIADO A 15 ANOS POR ATIVISMO




De acordo com informações confiáveis no Tibet, Dawa Tsering, da cidade de Khag, Markham County, foi sentenciado a 15 anos de prisão em Drapchi Prison.

Cedo em sua infância ele freqüentou a escola, onde fez estudos tradicionais tibetanos. Após alguns anos ele se juntou a uma cooperativa e trabalhou como motorista. Ele era aparentemente popular entre o povo local, conhecido como um homem honesto, sincero e patriota.

Em 1990 Dawa Tsering conduziu alguns peregrinos a Lhasa para peregrinação. Em Lhasa ele viu tibetanos sofrendo muito nas mãos de chineses. Ele ouviu serviços de transmissão de rádios tibetanas e ouviu discursos do Dalai Lama e da comunidade tibetana em exílio. Ele percebeu a necessidade de fazer algo pelo povo tibetano. Após conduzir os peregrinos de volta a seus lares, ele deixou seu emprego e sua família para juntar-se à luta pela liberdade.

Em Lhasa ele juntou-se a alguns outros compatriotas e começou a dar educação política aos tibetanos. Ele falou com as pessoas sobre a liberdade do Tibet e sua história. À noite, ele pendurava cartazes de liberdade nas paredes dos escritórios chineses e ao longo da rota dos arredores de Lhasa. Após dois anos ele voltou a sua cidade natal quando ficou sabendo do plano dos chineses para prendê-lo por suspeita de envolvimento em atividades políticas.

Mesmo em sua cidade natal, Dawa falava com os jovens sobre a liberdade do Tibet e comunicava mensagens do Dalai Lama. Oficiais da Inteligência Chinesa souberam de suas atividades e interrogaram sua família e muitas outras famílias em Khag Township sobre as atividades de Dawa. Dawa outra vez foi para Lhasa, e lá continuou suas atividades.
Nas noites em que Dawa ouvia o serviço de transmissão de rádio da China e escutava referirem-se aos tibetanos como ‘a panela do Dalai’ e ‘reacionários’, ele destruiu o rádio de raiva.

Em 1996 Dawa Tsering foi preso com um amigo. Eles foram severamente surrados e torturados durante interrogatórios. Uma vez quando seu amigo disse "Eu levarei todas as acusações em minha cabeça, você sairá e continuará a lutar pela liberdade", Dawa respondeu: "Você não pode assumir minhas acusações, eu sacrifiquei minha família e tudo para oferecer a mim mesmo para a liberdade do Tibet. Já que você é jovem e os chineses não sabem de suas atividades eu assumirei suas acusações." Ele assumiu todas as acusações feitas contra o grupo.

Quando seu julgamento começou, Dawa aceitou cada acusação e até falou de cartas anônimas enviadas a Jiang Zemin, Presidente da China. Quando questionado se estava por trás de um bombardeio do portão do governo dos quartéis generais de "TAR", ele respondeu "sim". Finalmente ele foi sentenciado a 15 anos de prisão e levado à Drapchi Prison.

Em Drapchi, os oficiais chineses disseram a Dawa : "Não seja tão absurdo, apenas desrespeite o Dalai Lama e sua sentença será atenuada." Furioso, dawa cuspiu no rosto do oficial. "Até mesmo se você me matar exatamente agora, tenho apenas palavras de respeito e adoração a oferecer a Sua Santidade o Dalai Lama, e jamais o prejudicaria." Um velho amigo veio até ele e disse que ele não precisaria ficar tão irritado, e que ele deveria abordar os chineses de um jeito melhor para o benefício de seus familiares. Dawa disse: "Eu dei a mim mesmo pela liberdade do Tibet, e não me preocupo com minha família."

Quando o filho mais velho e a filha de Dawa vinham visitá-lo em Lhasa, os oficiais chineses da prisão não permitiam que eles vissem o pai. No lar, a mãe de Dawa tinha ficado cega e sua esposa, Rinchen Lhamo, desenvolvera problemas cardíacos ligados a estresse. Ela buscou medicação em sua cidade, mas teve que ir a Lhasa à procura de melhor medicação. Ela também esperava ver seu marido. Em Lhasa, os médicos diagnosticaram sua doença como incurável. Seu pedido de visita ao marido na prisão também foi rejeitado.

Um mês e meio depois, um amigo de Dawa autorizado a visitá-lo estava a caminho da prisão para levar comida. A filha de Dawa correu para ele chorando e pediu que a levasse com ele. Ele disse à garota para voltar para casa pois ela não teria permissão para entrar, e além disso, estava chovendo muito aquela noite. Furiosa, ela correu para a porta da frente de Drapchi e continuou a chorar quando uma equipe tibetana veio até ela e perguntou por que ela estava chorando.

Após ouvir a história da garota, quatro oficiais escoltaram Dawa até sua esposa para um breve encontro. Eles não falaram muito, e na maior parte do tempo ficaram se olhando. Após um instante, Dawa disse à sua esposa: "Não fique triste. Eu desisti da minha vida pela causa nobre da independência do Tibet. Reze para o onisciente Dalai Lama por méritos nesta e na próxima vida.

Eu tenho apenas uma coisa a dizer a meus pais, filhos, esposa e todas as pessoas queridas e próximas.Que estou comprometido com a nobre causa da liberdade do Tibet. Os Chineses Vermelhos me torturaram esse tempo todo e me ordenaram a denunciar Sua Santidade o Dalai Lama. Mas até em tais provações quando morri cem vezes, eu ainda gritei ‘Tibet é um país livre’ e ‘longa vida a sua Santidade o Dalai Lama’. Ainda mantenho minha lealdade. Espero que todos vocês rezem por mim para que eu suporte essas últimas provações de vida." A esposa de Dawa faleceu dias após a visita a ele.

Dawa foi levado de volta à prisão após o encontro. Ele continua na Drapchi Prison, e será solto apenas em 2011.
KHENPO JIGME PHUNTSOK VOLTA AO INSTITUTO SERTHAR



O Tibetan Centre for Human Rights and Democracy (TCHRD) - Centro Tibetano para os Direitos Humanos e Democracia - recebeu informação de que Khenpo Jigme Phuntsok retornou ao Instituto Budista Serthar às 11 da manhã de 24 de junho de 2002. O Khenpo relatadamente recebeu uma elaborada recepção em seu retorno. Khenpo Jigme Phuntsok, 65 anos de idade, é o abade do Instituto Serthar. Ele foi, segundo relatado, mantido em prisão domiciliar em Chengdu, capital da província de Sichuan, desde o final do outono de 2001. Relatos indicaram que ele recentemente passou por uma cirurgia no joelho, e seu problema cardíaco parece ter melhorado.

Khenpo foi mantido incomunicável por vários meses. Ele estava sendo tratado por um médico desconhecido quando sua condição de saúde deteriorou. A seu médico pessoal, Rinzin, do hospital militar de Barkham, foi negado o acesso. Além disso, nenhum visitante externo foi autorizado.Khenpo Jigme Phuntsok fundou o Serthar Buddhist Institute em 1980 para atender a grande necessidade de meditação e escolaridade por todo o Tibet no rastro da Revolução Cultural da China.


O Serthar Buddhist Institute situado na Prefeitura Autônoma Tibetana (PAT) de Karze, província de Sichuan, esteve recentemente sob perseguição chinesa. Esse instituto, através dos anos, se expandiu de uma ermida solitária nas montanhas para um oásis espiritual para aproximadamente 9000 monges, freiras e leigos vindos do Tibet, China e Sudeste da Ásia.

Em julho de 2001, as autoridades chinesas decretaram o instituto ‘ilegal’ e ordenaram seu fechamento.

Desde então cerca de 2000 moradias foram demolidas. Os mais recentes relatos eram de 180 moradias destruídas no final de abril/início de maio de 2002. Embora os números exatos das expulsões sejam impossíveis de se discernir, cerca de 7000 foram expulsos do Instituto.

Jornal Human Rights – Junho 2002.
OBITUÁRIO DE UM EX-PRESO POLÍTICO



De acordo com informações confiáveis recebidas do Tibet, o ex-preso político Thupten Namdrol faleceu em sua casa em Lhasa na manhã de 17 de maio de 2002. Thupten Namdrol havia passado mais de 27 anos na prisão, tendo sido solto em 1995. Ele tinha 71 anos quando morreu.

Thupten nasceu em Gyatsa County, Lhoka, "Região Autônoma do Tibet". Durante sua infância ele juntou-se ao mosteiro de Dhangpo- Shedrupling, do qual tornou-se zelador. Em 1959, os combatentes da resistência "Chu-Shi-Sang Druk" (4 rios 5 cadeias de montanhas) e o mosteiro colaboraram para resistir à invasão chinesa e destruição do Budismo. Thupten tornou-se um ativo membro do grupo. Ele foi preso por ‘atividades contra-revolucionárias’ e sentenciado a vinte anos na Drapchi. Em 1964 ele foi transferido à Powo Tamo Prison, localizada na prefeitura de Nyintri (Tib: Kongpo). E em 1980, ele foi solto por completar sua sentença de prisão.

Thupten retornou a seu velho mosteiro, mas mais tarde mudou-se para o mosteiro de Gaden e depois para o Tsukalahang. Em 1986, quando o Bureau Religioso de Lhasa recebeu encargo do templo de Draklha- Luguk para ser seu zelador. Lá, junto com alguns compatriotas, ele continuou a trabalhar pela causa do Tibet. Durante o mesmo ano ele visitou a Índia para encontrar seus parentes.

Em seu retorno, Thupten continuou seu ativismo em 1987, ele e Tempa Phulchung, mandaram documentos para fora do Tibet através de turistas. Os documentos detalham a biografia de prisioneiros políticos que morreram durante dois protestos em massa em 27 de setembro de 1987 e 1o de outubro de 1987. Thupten e Choeze Metok (falecido) escreveram cartazes contendo informações da independência do Tibet de acordo com a lei internacional, e agradecendo aos participantes dos dois atos em massa. Informações do mundo exterior foram recolhidas através dos tibetanos visitando seus parentes na Índia.

Em 1987, o PSB atacou a casa de Thupten e descobriu muitos panfletos e blocos de impressão. Em 16 de dezembro de 1987, ele foi preso acusado de distribuir propaganda contra-revolucionária. Ele foi detido no posto policial do município de Lhasa para investigação por um ano, e então em 1989 ele foi transferido para a prisão número 4 do Tibet. Mais tarde, uma cela separada de prisão foi esvaziada para acomodar Thupten, Phulchung, Choezed Metok e dois outros prisioneiros chineses.

Em 9 de maio de 1989, a Corte Popular Intermediária da Cidade de Lhasa descreveu as atividades de Thupten Namdrol e Tenpa Phulchung como grave propaganda contra-revolucionária. Thupten foi sentenciado a nove anos de prisão e três anos de cassação de direitos políticos, e Tenpa Phulchung foi sentenciado a sete anos de prisão, e dois anos de cassação de seus direitos políticos. Ambos foram mandados à Drapchi Prison, unidade 4, grupo número seis para se regenerarem através do trabalho. Thupten adoeceu na prisão mas os oficiais de prisão o forçaram a continuar com o trabalho pesado.

Em maio de 1995, após repetidos apelos e pressões da comunidade internacional, Thupten e três dos prisioneiros foram soltos de Drapchi Prison. Após libertado, Thupten foi posto em prisão domiciliar virtual, com a polícia rondando sua casa e restringindo seus movimentos. Sua saúde continuou a deteriorar até sua morte em 17 de maio de 2002.

Nos anos seguintes, muitos presos políticos morreram ,seguindo sua libertação, de doenças que eles relatadamente contraíram na prisão. O governo chinês sistematicamente arrisca a vida de um preso político. Mesmo após a libertação deles, o governo assegura que eles não levem uma vida normal. Eles são repetidamente sujeitos à investigação, seus movimentos monitorados e seus direitos cassados.

Segundo fontes de informação confiáveis, um aviso internacional foi recebido, um aviso interno foi emitido à equipe tibetana e funcionários qualificados avisando que durante o mês sagrado de Saka Dawa ( nascimento de Buda, Iluminação e Parinirvana), a equipe e funcionários tibetanos são proibidos de fazer circumambulação, oferecer rezas e iluminação com lampiões. O aviso também previa a expulsão de membros dessa equipe que infringirem as regras.

Como 2002 é o ano do cavalo marinho de acordo com o calendário lunar tibetano, muitos peregrinos candidatam-se ao passe de peregrinação oficial para ir ao monte Kailash. A equipe e funcionários tibetanos prestando para o passe de permissão são especificamente objetados e avisados com futuros riscos na carreira.

A proibição é vista como se o governo não confiasse em seus funcionários tibetanos. Estes estão completamente insatisfeitos com a proibição imposta a eles.
RESTRIÇÃO RELIGIOSA – DIFICULDADE ATÉ PARA IR A LHASA VOLTA


Um informante que deseja permanecer anônimo relatou:

"Sou originário do Condado de Tsekhog, "PAT" de Malho. Há cerca de oito membros na minha família e todos são nômades. O Condado de Tsekhog consiste em dez vilarejos e dez mosteiros. O Mosteiro de Zhzbar é o mais restrito mosteiro do condado. Os oficiais chineses sempre conduzem a campanha de ‘reeducação’ no mosteiro de Zhabar.

Eu fui um monge no Mosteiro de Jadar que originalmente se chamava Ganden Tashi Choeling. Na época de minha entrada, haviam apenas quarenta monges. Hoje há cerca de 120 monges no mosteiro. Em 2001, as autoridades chinesas estabeleceram um limite de 80 monges e o resto recebeu ordens de ir para outros mosteiros. Os monges com menos de 18 anos de idade não foram autorizados a ficar no mosteiro.

Em 1999, as autoridades chinesas deram início à campanha de ‘educação patriótica’ no mosteiro de Jadar. Elas distribuíram documentos para todos os monges, que diziam que existe uma pátria. Haviam 15 capítulos no documento. Ele também mencionava o patriotismo e denúncia do ‘separatista’.

De julho de 2000 a fevereiro de 2001, os chineses proibiram fotos do Dalai Lama. Expulsão era a punição para a desobediência. Se mantivéssemos a foto proibida, seria considerado quebra da Lei Chinesa.

Em julho de 2001, um total de 30 oficiais vieram para o mosteiro incluindo sete oficiais da "equipe de trabalho" e outros de nível local e do condado. Como o mosteiro está localizado perto do escritório do condado, os oficiais não pernoitariam no mosteiro. Eles apenas vinham duas ou três vezes ao mosteiro. Os principais assuntos ensinados eram patriotismo à nação e liberdade de religião. Na realidade, nós não tínhamos liberdade de religião.

Desde 1988, o Mosteiro de Jadar tem um Comitê de Administração Democrática (CAD). Atualmente cinco monges administram o CAD e esses monges são eleitos por um período de cinco anos. O presidente do CAD é Gedun Gyatso e o vice-presidente é Choeyang Gyatso. Os outros são Kunga, Zoepa e Lobsang que são seus subordinados.

As autoridades chinesas sempre proíbem o CAD de aumentar o número de monges no mosteiro. A responsabilidade do CAD é interceptar cartazes de liberdade, frases pró-independência no mosteiro, e encontrar queles que têm conexão com o governo tibetano em exílio, e eliminar todos os ‘separatistas’ no mosteiro. Se algo disso acontece, o presidente do CAD é considerado responsável.

Como as autoridades chinesas proibiram monges de menos de 18 anos de idade de estudarem no mosteiro, tentamos fundar uma escola para esses monges menores. O governo rejeitou a idéia. Mandamos uma carta ao escritório do Condado e escritório do município sobre o assunto mas não deu certo.

Muitos monges gostariam de ir para a Índia mas os que retornaram dizem que na Índia faz muito calor. Por outro lado, o Governo Chinês não deu o ‘shan fein zhang’ (carteira de cidadania chinesa) para os monges. Por causa disso, os monges nunca podem deixar o mosteiro. Em fevereiro de 2001, tentei conseguir ‘shang fein zhang’ do escritório do condado mas não consegui porque sou um monge.

Quando os monges precisam ir para a China ou Lhasa, eles têm que obter ‘Tong xin zhang’ (permissão de viagem) de um Departamento Religioso e também é preciso retornar no prazo. Se alguém não retorna no tempo estabelecido, não tem mais permissão de ficar no mosteiro. Particularmente no caso de um lama, ele precisa ter um oficial que possa garantir para obter o ‘Tong xin Zhang’. Se o lama não retornar a tempo, a pessoa que garantiu terá problemas. Isso significa que há muitas restrições até para ir a Lhasa.

O informante também falou sobre condições na área local. Ele disse, "Já que a divisão de pastagens entre as famílias foi introduzida nos anos 80, muitas disputas ocorreram entre as pessoas. A água não flui para as terras férteis, mas onde a água flui, não cresce grama. Essa é a principal causa dos maiores problemas. Os chineses dizem que tudo pertence à nação.
Quando eu estava vindo para a Índia, os chineses anunciaram o Projeto de Desenvolvimento do Oeste e estavam construindo estradas na área dos nômades. A construção de estradas está muito próxima da minha cidade- o Condado de Tsekhog. Muitas famílias são muito pobres no condado, mas o governo nunca gasta dinheiro com as famílias pobres. Ele está investindo pesadamente na construção de estradas de Tongren-Tsekhog-Henan-Luchu-Machu-Golog-Sichuan. Agora eles construíram até para o Condado de Tsekhog. Todos os trabalhadores são chineses. Embora alguns tibetanos gostariam de trabalhar, o Governo Chinês os proíbe."

O informante também compartilhou informações sobre o assassinato de um monge, "Quando estava em Lhasa, eu fiquei sabendo que um monge de Sichuan foi morto no Yak Hotel. O monge estava tentando fugir do Tibet para a Índia. Disseram que ele tinha 80.000 yuan, e o guia o matou e tomou todo o dinheiro. Quando a polícia prendeu o guia, confiscou o dinheiro que continua nas mãos da polícia.

Algumas pessoas fingem ser guias e entregam fugitivos à polícia. Os guias trapacearam muitas pessoas, por isso é realmente difícil confiar nos guias. Há mais pessoas que foram enganadas do que pessoas que conseguem escapar para a Índia.

Eu também ouvi dizer que alguns homens de negócios de Amdo foram detidos cruzando a fronteira. Quando eles estavam fazendo piquenique na fronteira Dram-Nepal, eles queimaram incenso e gritaram "Longa Vida ao Dalai Lama!" Por causa disso eles foram presos após o piquenique. Eu não sei o que aconteceu com eles depois disso".



fonte: Jornal Human Rights – Junho 2002.
MAIS UMA SOCIEDADE CULTURAL FECHADA VOLTA



Tenzin Rabgyal, um refugiado recém chegado relatou ao TCHRD: "Em 2002, as autoridades chinesas virtualmente fecharam a Sociedade de Desenvolvimento Cultural no Condado de Rebkong, "PAT" de Malho, Província de Qinghai.

Os chineses são sempre contra tudo o que promova a cultura tibetana. Sob o pretexto da sociedade esconder motivos políticos, as autoridades ordenaram seu fechamento sem nenhum aviso prévio.

Dois periódicos tibetanos chamados Golden Bridge (Tib: Sesang) e The Backward Tibet foram fundidos a uma sociedade e denominados Sociedade de Desenvolvimento Cultural. Era um fórum de puro intercâmbio cultural através de demonstração de talentos literários. Não havia qualquer significado político ligado aos objetivos da sociedade.

Rabgyal relatou um incidente separado que ele testemunhou durante sua jornada: "Em 3 de abril de 2002, duas peregrinas tibetanas do Condado de Jintsa, Província de Qinghai, viajavam conosco. No Condado de Amdo na Prefeitura de Nagchu, a polícia checou os peregrinos para ver se possuíam o "Shan Fein Zhang"(cartão de cidadania chinesa exigido dos tibetanos de outras regiões). Já que as duas mulheres não o tinham, a polícia as multou em 50 yuan cada. A multa para um infrator nesse caso é na verdade de 100 yuan. Já que as mulheres tinham pouco dinheiro, sua multa foi reduzida à metade. Milhares de chineses migram para o Tibet mas o "Shan fein zhang" nunca é exigido deles. Durante viagem, são apenas os tibetanos que são checados à procura desse cartão e não os chineses. Assim, isso é claramente uma discriminação contra os tibetanos."

Tenzin Rabgyal nasceu em 1980 no Condado de Tsolho na Província de3 Qinghai. Ele estudou na Escola Intermediária do Condado de kenney por quatro anos. Dos 16 aos 20 anos, ele foi monge no mosteiro de Rebkong. Então ele estudou no Mosteiro de Sera Je por dois anos e novamente retornou ao Mosteiro de Rebkong por um ano. Um ano depois, ele deixou o Tibet e chegou a Kathmandu, Nepal, em 25 de maio de 2002.




Fonte: Jornal Human Rights – Junho 2002