07 Maio, 2002

BIOGRAFIA DE TULKU TENZIN DELEK


Nascido em 1950 para Tsepak Dorjee e Dólmã Choezon em Lithang, Tulku Tenzin Delek juntou-se ao monastério de Lithang aos sete anos de idade. Ele buscou ordenação de monge de Khensur (ex-abade) Shakpa. Após a forçada ocupação chinesa do Tibet em 1959, Tulku Delek retornou a sua família.

Durante a primeira visita da delegação do governo tibetano em exílio em 1970, Tulku Tenzin Delek resumiu uma das delegações em detalhes sobre a destruição dos monastérios cometida por autoridades chinesas no Tibet.

Logo após a décima libertação do Panchen Lama da custódia chinesa em 1978, Tulku tenzin Delek secretamente buscou uma audiência com o Panchen Lama no monastério de Labrang Tashi Kyil. Ele expressou suas opiniões sobre a tortura indiscriminada feita aos tibetanos locais por autoridades chinesas e buscou intervenção do Panchen Lama em assegurar liberdade para aqueles culpados de ‘chapéus pretos’. Ele também frisou a necessidade de restauração e renovação da maioria dos monastérios destruídos do Tibet, particularmente em Lithang.

Em 1982, Tulku Tenzin Delek buscou uma audiência com o Dalai Lama em Dharamsala e depois disso ficou no monastério de Drepung Tashi Gomang, ao sul da Índia , por seis anos. Em 1982, o Dalai Lama o reconheceu como a reencarnação de Geshe Adham Phuntsok e o nomeou como Tenzin Delek.Em 1987, Tulku bTenzin Delek retornou a sua terra natal no Tibet. Tulku Tenzin Delek partiu para Othok Thang Karmar, há poucos quilômetros de Nyagchuka County para continuar com seus planos de construir monastérios. Mas lá os oficiais regionais tentaram parar com tais atividades. Ele foi direto para Beijing e assegurou permissão oficial do falecido Panchen Lama que deu ao novo monastério o nome de Kham Nalanda Thekchen Jhangchub Choling.

Entre 1991 e 1995, Tulku Delek conseguiu construir sete monastérios e um asilo em Nyagchuka County (Ch: Yajiang Xian), Karze "TAP". Os sete monastérios são Jamyang Chokor Ling, Delek Choling Nunnery, Golok Thegchen Namgyal Ling, Tsochu Gaden Choeling, Golok Tashi Kyil, Detsa Monastery e Tsegon Shedup Dhargyal Ling.

Durante o mesmo período, Tulku Delek encontrou-se com oficiais de Lithang County para deter o reflorestamento em Nyagchu County quando o Departamento Florestal começou seu trabalho. Tulku disse que a floresta pertencia ao povo local e que este devia ter o direito único de decidir o que desejava fazer com sua terra.Mais tarde, ele arquivou um caso na corte de nível provinciano.

Durante a controvertida questão da reencarnação do décimo Panchen Lama em maio de 1995, Tulku corajosamente comentou:"Eu apenas reconheço a reencarnação do décimo Panchen Lama reconhecida por sua santidade o Dalai e ninguém mais. Uma vez na presença de oficiais do condado, Tulku disse: "Vocês pessoas lançam ordens pedindo a proibição de retratos de sua Santidade o Dalai Lama em monastérios. Para mim não faz diferença alguma. Colocar as fotos proibidas em exibição não diminui minha devoção a Sua Santidade nem a proibição oficial dos retratos diminui minha fé. Sua Santidade o Dalai Lama é minha alma".

Em um encontro especial feito por autoridades Karze em 1997, Tulku Tenzin Delek Foi acusado de seis diferentes culpas em um documento intitulado Angag Tashi. As acusações incluíam "estado de segurança ameaçado"e construção ilegal de monastérios sob a bandeira da religião. Esse documento foi distribuído em 18 condados diferentes e Tulku encarou perigos de prisão iminente. Tulku retirou-se por cinco meses em uma colina vizinha. Nesse meio-tempo, tibetanos locais coletaram cerca de 30.000 assinaturas e mandaram uma carta de apelo às autoridades provincianas para retirar o certificado de prisão. As autoridades cederam com a condição de que Tulku, a partir de então, não se envolvesse em atividades políticas.

Mais tarde, em 1997, Tulku construiu uma escola em Geshe Lungpa Village em Nhyakchuka County, que deu assistência a mais de 300 filhos de nômades pobres e fazendeiros. Todos os custos como alimentação, roupas e salário dos professores foram bancados pelo próprio Tulko. Entretanto, as autoridades locais declararam que a escola particular era ilegal e forçosamente conduzia sessões de ‘educação patriótica’, eventualmente levando ao fechamento da escola. O asilo em Nyagchu County também foi fechado devido a pressões de autoridades locais.

Em 2000, Tulku mediou uma disputa pela propriedade de uma pastagem entre as regiões de Lithang e mola, que relatadamente levou a duas mortes. As autoridades chinesas acusaram Tulku de sua interferência no assunto e estavam para prende-lo quando Tulku outra vez retirou-se por um período de sete meses.

Numa carta deixada por Tulku, ele afirmou, "Eu nunca cometi nenhum crime político. Eu recebi um telefonema das autoridades chinesas dizendo que eu deveria vir para o centro de detenção sozinho pois eles tinham algo a me dizer.Se vocês podem esclarecer minhas culpas através de procedimentos legais, eu devo sair."

Pela segunda vez, aproximadamente 20.000 pessoas locais assinaram e apelaram para as autoridades centrais em Beijing para considerar o caso de Tulku. As autoridades centrais disseram que Tulku estava proibido de conduzir qualquer atividade religiosa, e sua liberdade de movimentos estava restrita. Ele era permitido apenas de viver uma vida de monge comum. Acredita-se que o governo de Beijing via Tulku Tenzin Delek à mesma luz de Khempo Jigme Phuntsok, abade chefe do Serthar Institute; eles são ‘separatistas’que ‘ameaçam a segurança do Estado".

01 Maio, 2002

ATIVIDADES NO ANIVERSÁRIO DE 13 ANOS DO PANCHEN LAMA



Em 25 de abril de 2002, o Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) manteve atividades para marcar o 13o aniversário de Gendhun Choekyi Nyima, o 11o Panchen Lama, que está desaparecido desde maio de 1995. O TCHRD enviou apelos urgentes à Sra. Mary Robinson, a Alta-Diretora das Nações Unidas pelos Direitos Humanos, e outros departamentos das Nações Unidas, tais como o Comitê de Direitos das Crianças, Grupo de Trabalho do Desaparecimento Forçado ou Involuntário antes de seu aniversário. Os apelos tornam urgente às Nações Unidas para permitir que uma figura independente encontre-se com o garoto e cuide para que ele esteja bem.

Entre chuvas pesadas e clima com muitos ventos, um guichê de informações foi montado no ponto de ônibus em Mac Leod Ganj, atraindo muitos tibetanos e turistas similares. O centro disseminou reportagens e livretos gratuitos e respondeu a dúvidas sobre os Direitos Humanos no Tibet. Centenas de assinaturas foram coletadas para uma petição urgente sobre a libertação de Gendhun Choekyi Nyima e as listas de mensagens da criança seqüestrada também foram colocadas.

Enquanto isso, no hall da comunidade, uma exposição de desenhos de crianças tibetanas nas escolas e um projeto para a confecção de colchas atraiu algumas almas corajosas que ousarem arriscar a chuva ou o vento. Os desenhos retratam a compreensão dos estudantes sobre os direitos humanos e sua perspectiva de direitos humanos dentro do Tibet.

Outras organizações tibetanas, incluindo o Partido Nacional Democrata do Tibet, o Congresso Regional Jovem Tibetano e Estudantes por um Tibet Livre oraram o dia inteiro pelo IX Panchen Lama. Uma procissão à luz de velas na tarde terminou no templo principal, onde discursos e orações foram conduzidos.

Finalmente, o Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) exibiu dois documentários, "A criança roubada do Tibet "e "Destruição do Serthar Institute". Foi uma premiére de "Destruição do Serthar Institute" em Dharamsala, e para muitos dos monges e freiras que viram o documentário, foi claramente chocante ver as autoridades chinesas destruindo lares de seus companheiros monges e freiras do Tibet.
CENTRO TIBETANO COMEMORA 13º ANIVER. do 11o PANCHEN LAMA



O 11º Panchen Lama, Gedhun Choekyi Nyima observou seu décimo-terceiro aniversário a 25 de Abril de 2002, sete anos depois de ele e seus pais desaparecerem.

A 14 de Maio de 1995, Sua Santidade o Dalai Lama reconheceu Gedhun Choekyi Nyima como a reencarnação do décimo Panchen Lama. O governo da república Popular da China (PRC) declarou a anunciação inválida e ilegal. Poucos dias depois Gedhun Choekyi Nyima desapareceu. Após alguns meses, o governo do PRC apresentou seu próprio Panchen Lama, um garoto chamado Gyaltsen Norbu. Em Maio de 1996, o PRC admitiu manter Gedhun Choekyi Nyima "a pedido de seus pais"porque ‘ele corria o risco de ser seqüestrado por separatistas e sua segurança foi ameaçada". É estranho que as autoridades chinesas chegariam a tal ponto para dar ‘segurança’ a alguém que eles consideram apenas um garoto comum.

Nos anos que seguiram a essa anunciação, o PRC ordenou que apenas o Panchen Lama indicado pelos chineses seria reconhecido no Tibet, enquanto monges, freiras e tibetanos comuns foram pedidos a denunciar Gedhun Choekyi Nyima. Relatos de refugiados deixando o Tibet e de viajantes ocidentais são que fotos do Panchen Lama indicado pelos chineses estão colocadas proeminentemente na maioria dos mosteiros e hotéis turísticos do Tibet. Por outro lado, fotos de Sua Santidade o Dalai Lama e Gedhun Choekyi Nyima estão proibidas em todo o Tibet.

Muitos representantes das Nações Unidas e delegações de governos expressaram interesse a respeito da detenção contínua do Panchen Lama e apelaram às autoridades chinesas para permitir acesso ao garoto por uma figura independente aceitável ao governo chinês e aos tibetanos para verificar sua saúde e condições de vida. Entretanto, o PRC continua a negar qualquer acesso exterior à criança e seus pais. Em outubro de 2000 uma delegação Britânica foi informada por autoridades chinesas que o garoto estava bem e indo à escola. Eles disseram que seus pais não querem figuras internacionais e a mídia intrometendo-se em sua vida. Duas fotografias ditas do Panchen Lama foram mostradas à delegação britânica retratando um garoto de aproximadamente da idade correta. Entretanto, era impossível determinar a identidade do garoto ou seu paradeiro, e não foram dadas ao oficiais britânicos fotos a serem levadas por eles.

Em agosto de 2001, uma Delegação do Parlamento Polonês foi avisada em resposta a repetidas perguntas que Gedhun Choekyi Nyiama estava saudável; à delegação foram prometidas fotos do garoto em seis semanas mas nunca recebidas. Apenas recentemente o governo polonês recebeu uma carta da embaixada chinesa em Varsóvia afirmando que Gedhun Choekyi Nyima e seus pais não querem a pacata vida deles perturbada por estranhos, e que o governo chinês "respeita a liberdade de escolha para seus cidadãos e espera que o povo polonês entenda isso também".

Em março de 2002, uma delegação do governo da Região Autônoma do Tibet (TAR) reuniu-se com uma delegação do Parlamento Europeu e novamente disse que Gedhun Choekyi Nyiama não queria ser perturbado. A delegação TAR recusou-se a responder perguntas sobre fotografias prometidas à delegação polonesa.

À luz de uma recusa a fornecer fotografias que positivamente identificam Gedhun Choekyi Nyima, ou de permitir acesso independente ao garoto e sua família, o povo tibetano pode apenas temer o pior. O Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) está assustado com a contínua detenção pelo povo chinês de um garoto de 13 anos. Nós mais uma vez apelamos ao PRC para que ele permita que uma figura independente visite Gedhun Choekyi Nyima e verifique sua saúde e condições de vida.

O contínuo desaparecimento do segundo mais alto lama da hierarquia contradiz completamente o que a China afirma de respeitar a liberdade religiosa no Tibet. Enquanto nós aplaudimos o interesse de países do mundo inteiro no que se refere ao Panchen Lamsa, o Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD) não entende por que este ano nenhum país teve coragem de apresentar uma solução contra o registro da China de direitos humanos na Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas. Sem condenação internacional, a China continuará a deter figuras religiosas importantes e negar liberdade religiosa no Tibet.
EQUIPE DO TCHRD VAI a 58ª COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS



A agente para casos das Nações Unidas, Srta. Tenzin Chokey, foi a um programa de treinamento organizado pelo Serviço Internacional de Direitos Humanos. Este curso começou na semana anterior à 58ª Comissão de Direitos Humanos. Sessões foram feitas para preparar os trainees para a Comissão, incluindo uma introdução básica às Nações Unidas e seus componentes.

Extensivos materiais de leitura com dicas e informações foram distribuídos. Palestrantes convidados também foram chamados a cobrir tópicos específicos, incluindo o protocolo opcional sobre tortura.

Uma visita especial e apresentação da Comissão Internacional da Cruz Vermelha também foi organizada.O curso examinava estudos de casos específicos ou países como Papua Ocidental, Chechênia, Guatemala, Palestina, Bangladesh, Malacus, Peru, Noruega , Suíça, Polônia, Suécia e Brasil.

Os estudos de caso foram discutidos para desenvolver estratégias para apoiar várias questões. A sessão não foi apenas interessante, mas também informativa. Aprender sobre outras causas no mundo com relação à Comissão de Direitos Humanos foi essencial.Um interessante aspecto do treinamento foi a Conferência do Encontro de Especialistas em terceiro mundo Sobre Racismo.

O Encontro de Especialistas foi para avaliar o fórum e a conferência de modo que fornecesse recomendações para futuras conferências e para intermediar as lacunas que impediam o processo de negociação da ONG e seguissem medidas para combater o racismo e a discriminação no futuro.

Muitos representantes de ONGs também mostraram suas perspectivas que foram valiosas para a discussão.Após a primeira semana, especialistas em questões específicas foram convidados a falar conosco. Eles incluíam União Especial da Tortura, Mulheres, Assassinatos Extra-Judiciais, Moradias Adequadas, direito à alimentação e direitos dos não-cidadãos. Também recebemos assuntos de especialistas em leis WTO e ILO. Cada dia tivemos uma crítica da comissão e uma análise dos modelos de votação e o progresso da comissão.

O treinamento foi ideal , considerando o fato de que, paralelamente ao programa de treinamento, a Comissão de Direitos Humanos tem lugar. A oportunidade de obter conhecimento especializado avançado foi válida. Tal treinamento é crucial para o trabalho do Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD), considerando-se que somos a ONG primária de direitos humanos com diretos acesso ao enorme número de refugiados tibetanos e ex-presos políticos que entram à comunidade em exílio todo ano.

Um número extraordinário deles foi sujeito à detenção arbitrária e severas torturas e os direitos legais internacionais destes indivíduos não são adequadamente representados pelos fóruns internacionais.DURANTE A COMISSÃO A diretora executiva, Srta. Tsewang Lhadon e a Srta Tenzin Chokey foram à comissão de direitos humanos creditada pela Fraternidade Internacional da Reconciliação. Durante a sessão, eles encontraram-se com vários membros da delegação , incluindo representantes dos EUA, Espanha Luxemburgo, Finlândia, Alemanha e Suíça.

Na primeira semana da Comissão a Srta. Chokey também dirigiu uma conferência da imprensa sobre a situação dos direitos humanos no Tibet. Durante a Segunda semana, duas freiras que foram ex- prisioneiras políticas da prisão de Drapchi fizeram uma parada em Genebra durante a sua viagem mundial testemunhando suas experiências na prisão. As freiras dirigiram um relatório às Nações Unidas durante a comissão. Durante o relatório, a Srta. Chokey também fez uma apresentação dos direitos humanos no Tibet.As Srtas. Lhadon e Chokey também fizeram três afirmações orais no plenário sobre o item 9, sobre a questão da violação dos direitos humanos e liberdades fundamentais em qualquer parte do mundo, item 11, direitos civis e políticos incluindo a liberdade de expressão e item.

Quando os países falharam em apresentar uma resolução à China, o TCHRD fez um lançamento à imprensa nas Nações Unidas com outras duas ONGs, Campanha do Tibet Livre e Campanha Internacional para o Tibet, expressando revolta.A Srtas Lhadon e Chokey também se encontraram com outras ONGs internacionais e discutiram possibilidades de futuras atividades conjuntas.

Atividades tais como relatar às Nações Unidas, afirmações escritas , seminários ou workshops e relatórios conjuntos sobre o país ou temática.Enquanto estiveram na Suíça, elas também foram a um encontro da Associação Jovem Tibetana na Europa.

As Srtas. Lhadon e Chokey ambas falaram com os jovens tibetanos sobre as responsabilidades deles e as atividades do Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia (TCHRD).Elas também foram a várias reuniões organizadas por outras ONGs durante os intervalos de almoço onde os palestrantes incluíam membros das Nações Unidas como Mary Robinson, Acordos Especiais, ativistas, advogados, etc. .
ESCOLA ENCORAJADA A DENUNCIAR O DALAI LAMA



Tenzin é um estudante de 18 anos da cidade de Chengdu, Jyekundo County.Ele chegou ao Nepal em 1o de abril de 2002.

Tenzin vem de uma família de fazendeiros com cinco membros. Ele freqüentou a escola de ensino médio de Chengdu Township, que tem cerca de 200 alunos, todos tibetanos. Tenzin teve de pagar 280 yuan por semestre. Os alunos estão altamente desencorajados a freqüentar qualquer função religiosa ou visitar templos. Eles também são proibidos de expor imagens do Dalai Lama.

Em 1999, um incidente político ocorreu enquanto ele estava no ensino de segundo grau na escola de ensino médio em Chendou Township. Em cada sala de aula há um televisor. Um dia, em maio de 1999, notícias sobre o Dalai Lama foram transmitidas no Canal Nacional Chinês, embora não houvesse nenhuma imagem do Dalai Lama. Tenzin disse: "Foi relatado que o que o Dalai Lama estava fazendo não era pelo Tibet ou seu povo, que ele está apenas trabalhando por seu interesse adquirido interesse pessoal em nome do Tibet e dos tibetanos, que o Dalai Lama está fortemente determinado por suas atividades separatistas.

Essas notícias evocaram uma estranha reação dos estudantes. Tenzin disse: "Discutimos com nossa professora de política chinesa, chamada Xiao Su, sustentando que o Dalai Lama tem um objetivo em despertar a batalha do povo tibetano, que quer garantia de autonomia genuína.

Hong Kong viveu durante duzentos anos sob domínio britânico, e então foi devolvida à China, tal como Macau. Usamos esses dois exemplos para enfatizar que o povo tibetano tem o direito de viver separadamente do controle dos chineses. Mas a professora chinesa se manteve rígida. Ela perguntou o que o Dalai Lama fez pelo bem-estar do povo tibetano. Ela acreditava que o povo tibetano tinha educação, roupas e abrigo, tudo por causa da grande graça do governo da República Popular da China. Xiao Su nos advertiu para não sermos enganados pelas "Panelas do Dalai".

"Esta observação gerou maior reação da maioria dos alunos de nossa classe, e houve acaloradas discussões entre professora e alunos. A professora não conseguiu nos controlar, e por um momento a sala de aula tornou-se um caos, com metade dos alunos gritando com a professora. Ela saiu da classe com lágrimas nos olhos.

"O diretor, sabendo desse incidente, veio à nossa classe no dia seguinte. Ele repreendeu toda a classe por nossa conduta. Num tom muito sério, ele nos lembrou o que havia dito na reunião com a escola toda no início do semestre. Ele nos disse novamente que devemos seguir o caminho mostrado pelo governo chinês, com sua ideologia marxista e leninista, e não deveríamos pensar em nada incriminatório. Ele nos disse que deveríamos desistir da pregação enganos do Dalai Lama sobre a independência do Tibet, que é simplesmente inatingível. Fomos avisados de que, se esse tipo de incidente ocorresse de novo, ele não hesitaria em expulsar a classe toda da escola e nos denunciar ao Bureau de Segurança Pública.

Se fôssemos poucos indivíduos, teríamos sido expulsos, mas fomos salvos pelo fato de que a maioria da classe estava envolvida. Embora o diretor mais velho estivesse furioso, ele não ministrou nenhuma punição física. Ao invés disso, cerca de vinte de nós incluindo eu mesmo fomos ordenados a escrever uma carta de desculpas à professora, prometendo que não repetiríamos o incidente de novo. A carta levou nossos nomes e assinaturas. Desde então não houve incidentes semelhantes de significado político em nossa classe. "

Tenzin desistiu da escola em 1999 sem completar seu ano final ,pois a família enfrentava dificuldades para pagar as taxas da escola para ele e seus dois irmãos. Em vez disso, Tenzin começou a ajudar seu pai nos negócios, o que Tenzin na época gostou. Entretanto, após um tempo Tenzin percebeu que não estava bem nos negócios, então decidiu ir à Índia para mais educação e para ajudar sua família financeiramente.

Tenzin foi a Dram, a cidade fronteiriça tibetana, usando falsos documentos de viagem. Lá ele encontrou outros jovens que também iam à Índia. O grupo veio junto com quatro guias nepaleses pagando a eles taxas que iam de 100 a 3000 yuan. O grupo passou pelos postos policiais e após andar por traiçoeiras trilhas de montanhas por uma semana, chegou ao Centro de Recepção Tibetano em Kathmandu a 1º de abril de 2002. Tenzin quer ir para uma escola tibetana na Índia.
JOVEM FUGITIVA TIBETANA SEXUALMENTE ATACADA POR MESES


Uma fugitiva do Tibet relatou ao TCHRD, em condições de anonimato, suas angustiantes experiências durante uma fuga pelas montanhas do Himalaia. "Eu fui para a escola primária quando tinha dez anos de idade./ Após completar minha educação primária, freqüentei uma escola de ensino médio em Gyaltse County por três anos. Além de não passar nos exames, tive de largar a escola.

Fiquei em casa por um ano e trabalhei no restaurante de minha tia em Lhasa.Em janeiro de 2002, fiz planos com uma companheira de voar de Lhasa a Dram. Contratamos um guia e lhe pagamos 4500 yuan cada uma para ajudar-nos a escapar com segurança. Chegamos a Dram sem grandes problemas e lá ficamos por dois dias.

Então, o guia nos levou até um guia nepalês chamado Sundra. E, então, junto com outro guia que acompanhava três outras fugitivas incluindo uma mulher mais velha, andamos pelo terreno montanhoso. Após andar por vários dias, ficamos sem comida. Os dois guias, sob pretexto de arranjar comida para nós, fugiram; mas mandaram dois garotos para nos ajudar. Pedimos a um deles para trazer de volta os guias. Então, um garoto foi ao encontro dos guias enquanto o outro, embora não muito familiarizado com o terreno, nos levou adiante por uma considerável distância e então também fugiu.

Com o garoto também fugido, nos perdemos mas chegamos a tatopani, a cidade fronteiriça do Nepal. Lá, encontramos um grupo de homens nepaleses e eles disseram que iam nos guiar até Kathmandu individualmente.Um nepalês chamado Matang me levou e eu fui separada de meus companheiros enquanto eles foram sozinhos. Após passar Tatopani, Matang nos levou à casa de seu primo Sherpa Norbu, onde eu fui mantida. Ele me pediu em casamento, e, contra a minha vontade, me forçou e estuprou.

Eu era completamente estranha ao lugar e não falava uma palavra de nepalês. Sentia-me indefesa e não podia fugir. Fui confinada dentro do quarto por um dia inteiro, e fui mantida trancada por dentro pelos 2 meses e 15 dias que se seguiram. Durante esse tempo, fui repetidas vezes usada como sua esposa contra a minha vontade.

Havia outro Sherpa chamado Tsering. Pedi a ele que me levasse ao Centro de Recepção Tibetana em Kathmandu. Sem o conhecimento de Matang, escapei da casa de seu primo por dez dias antes de conseguir chegar a Kathmandu. Lá, conheci dois tibetanos de Amdo, e eles me deram 2000 NC. Eu tinha 400 yuan comigo. Dei todo o dinheiro a Serpa Tsering. A esposa de Matang e Sherpa Tsering me levaram ao Centro de Recepção Tibetana em 21 de março de 2002."

A informante foi submetida a um check-up médico no Tibetan Reception Centre no Nepal. Agora ela quer estudar numa escola tibetana administrada pelo governo do Tibet em exílio na Índia.