01 Agosto, 2002

EDUCAÇÃO NO TIBET



Palden Tashi é um estudante de 17 anos do Condado de Jetsa Marlho, Província de Qinghai. Ele vem de uma família de fazendeiros de oito pessoas. Seu irmão mais velho Wangchuk Dorjee irá completar a Universidade Étnica de Professores de Hinan em agosto de 2002.

Palden lança uma luz sobre os problemas das instituições educacionais de sua área. "Para os estudos universitários de quatro anos, uma taxa total chega a 36000 yuan. Mas a taxa mais alta da escola secundária é de 1000 yuan por ano. Minha irmã mais velha Jalmo Kyab continua em casa e ajuda os nossos pais a administrar a família. Eu completei a escola secundária em 1997, e como minha família não podia pagar as taxas eu fiquei em casa e não pude continuar os estudos.

Havia cerca de 1100 alunos na escola que eu freqüentava e eram todos tibetanos. Tivemos de dar 400 Gyama de cereais e cinco Gyamas de óleo e um adicional de 400 a 500 yuan por ano como taxas da escola. O diretor da escola não se importava com o bem-estar dos alunos. A comida que recebíamos era muito pobre e sem higiene. O diretor da escola não tinha sentimentos por tibetanos.

Embora o Governo Chinês administrasse a escola, as condições eram deploráveis. Dos 150 professores, 20 eram chineses.

A escola não tinha biblioteca nem computadores. Embora a escola nos desse livros-texto, tivemos que comprar todo o resto do material necessário. A escola tinha clínica médica própria, então quando os alunos passavam mal os pais eram imediatamente contatados.

Durante minha educação primária na Escola Étnica Tibetana de Jetsa, eu era jovem demais para pensar em ir para a Índia. Mas mais tarde eu fui encorajado e inspirado pela carta de um colega de classe que conseguiu ir para a Índia. Fotos de Sua Santidade o Dalai Lama não eram permitidas na escola. Até agora nenhuma atividade relacionada com o "Tibet Livre" aconteceu em nossa escola. Quando os estudantes aproximavam-se, eles falavam disfarçadamente sobre o Tibet Livre.

A maior parte de suas opiniões é que tornar o Tibet Livre é bastante impossível, porque haveria outras minorias que exigiriam o mesmo, e a China não poderia suportar essa desintegração.Os muçulmanos do município de Halong mudaram-se para Jetsa e assumiram seus negócios. Desde 1995 os muçulmanos começaram a comparecer, coincidindo com festivais e cerimônias. Tais como 1º de outubro, o Ano Novo Tibetano, 1º e 4 de maio, dia de esportes da escola.

Durante tais grandes encontros, os muçulmanos de Halong organizarão restaurantes, lojas e outros estabelecimentos de negócios. A população muçulmana tem bom contato com a polícia de Jetsa, então os muçulmanos tomaram conta dos lugares e os tibetanos foram removidos de lá. Quando se encontram com a polícia, ela favorece os muçulmanos e os tibetanos sempre saem perdendo afinal. Tal discriminação ocorre muitas vezes lá.

Após consultar minha família, eu decidi vir à Índia. Cheguei com 3700 yuan e na hora em que alcancei o Nepal eu tinha apenas 200 yuan comigo. Junto com outros 17 tibetanos eu alcancei o Centro Tibetano de Recepção via Solukupo.

Após 18 dias andando chegamos em Kodari mas então a polícia nos prendeu e nos levou ao Departamento de Imigração em Kathmandu. Nomes de quatro estudantes que vieram à Índia em julho são Yangchen Lhamo (F), Samten (M), Tashi Dolma (F), Palden (F). Eles terminaram a escola secundária mas não podiam pagar as taxas altas do colegial. Muitas pessoas de Jetsa vão à Índia e muitas delas são monges.

Fonte: Jornal Human Rights – Agosto 2002