01 Maio, 2002

ESCOLA ENCORAJADA A DENUNCIAR O DALAI LAMA



Tenzin é um estudante de 18 anos da cidade de Chengdu, Jyekundo County.Ele chegou ao Nepal em 1o de abril de 2002.

Tenzin vem de uma família de fazendeiros com cinco membros. Ele freqüentou a escola de ensino médio de Chengdu Township, que tem cerca de 200 alunos, todos tibetanos. Tenzin teve de pagar 280 yuan por semestre. Os alunos estão altamente desencorajados a freqüentar qualquer função religiosa ou visitar templos. Eles também são proibidos de expor imagens do Dalai Lama.

Em 1999, um incidente político ocorreu enquanto ele estava no ensino de segundo grau na escola de ensino médio em Chendou Township. Em cada sala de aula há um televisor. Um dia, em maio de 1999, notícias sobre o Dalai Lama foram transmitidas no Canal Nacional Chinês, embora não houvesse nenhuma imagem do Dalai Lama. Tenzin disse: "Foi relatado que o que o Dalai Lama estava fazendo não era pelo Tibet ou seu povo, que ele está apenas trabalhando por seu interesse adquirido interesse pessoal em nome do Tibet e dos tibetanos, que o Dalai Lama está fortemente determinado por suas atividades separatistas.

Essas notícias evocaram uma estranha reação dos estudantes. Tenzin disse: "Discutimos com nossa professora de política chinesa, chamada Xiao Su, sustentando que o Dalai Lama tem um objetivo em despertar a batalha do povo tibetano, que quer garantia de autonomia genuína.

Hong Kong viveu durante duzentos anos sob domínio britânico, e então foi devolvida à China, tal como Macau. Usamos esses dois exemplos para enfatizar que o povo tibetano tem o direito de viver separadamente do controle dos chineses. Mas a professora chinesa se manteve rígida. Ela perguntou o que o Dalai Lama fez pelo bem-estar do povo tibetano. Ela acreditava que o povo tibetano tinha educação, roupas e abrigo, tudo por causa da grande graça do governo da República Popular da China. Xiao Su nos advertiu para não sermos enganados pelas "Panelas do Dalai".

"Esta observação gerou maior reação da maioria dos alunos de nossa classe, e houve acaloradas discussões entre professora e alunos. A professora não conseguiu nos controlar, e por um momento a sala de aula tornou-se um caos, com metade dos alunos gritando com a professora. Ela saiu da classe com lágrimas nos olhos.

"O diretor, sabendo desse incidente, veio à nossa classe no dia seguinte. Ele repreendeu toda a classe por nossa conduta. Num tom muito sério, ele nos lembrou o que havia dito na reunião com a escola toda no início do semestre. Ele nos disse novamente que devemos seguir o caminho mostrado pelo governo chinês, com sua ideologia marxista e leninista, e não deveríamos pensar em nada incriminatório. Ele nos disse que deveríamos desistir da pregação enganos do Dalai Lama sobre a independência do Tibet, que é simplesmente inatingível. Fomos avisados de que, se esse tipo de incidente ocorresse de novo, ele não hesitaria em expulsar a classe toda da escola e nos denunciar ao Bureau de Segurança Pública.

Se fôssemos poucos indivíduos, teríamos sido expulsos, mas fomos salvos pelo fato de que a maioria da classe estava envolvida. Embora o diretor mais velho estivesse furioso, ele não ministrou nenhuma punição física. Ao invés disso, cerca de vinte de nós incluindo eu mesmo fomos ordenados a escrever uma carta de desculpas à professora, prometendo que não repetiríamos o incidente de novo. A carta levou nossos nomes e assinaturas. Desde então não houve incidentes semelhantes de significado político em nossa classe. "

Tenzin desistiu da escola em 1999 sem completar seu ano final ,pois a família enfrentava dificuldades para pagar as taxas da escola para ele e seus dois irmãos. Em vez disso, Tenzin começou a ajudar seu pai nos negócios, o que Tenzin na época gostou. Entretanto, após um tempo Tenzin percebeu que não estava bem nos negócios, então decidiu ir à Índia para mais educação e para ajudar sua família financeiramente.

Tenzin foi a Dram, a cidade fronteiriça tibetana, usando falsos documentos de viagem. Lá ele encontrou outros jovens que também iam à Índia. O grupo veio junto com quatro guias nepaleses pagando a eles taxas que iam de 100 a 3000 yuan. O grupo passou pelos postos policiais e após andar por traiçoeiras trilhas de montanhas por uma semana, chegou ao Centro de Recepção Tibetano em Kathmandu a 1º de abril de 2002. Tenzin quer ir para uma escola tibetana na Índia.